Itália busca apoio contra ampliação do Conselho de Segurança

Por Silvia Aloisi ROMA (Reuters) - A Itália promoveu na quarta-feira discussões com delegações de quase 80 países sobre a polêmica ampliação do Conselho de Segurança da ONU, promovendo sua opinião de que não deveria haver novos membros permanentes.

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Como outros países pequenos e médios, a Itália teme ficar de fora do Conselho ampliado. Roma afirma que deveria haver um amplo consenso sobre a reforma antes das negociações formais, marcadas para começarem no dia 19.

A lista dos países que não foram convidados para a reunião de Roma -- especialmente Alemanha, Japão, Brasil e Índia, candidatos às novas vagas permanentes -- reflete as profundas divisões sobre o tema.

Dos cinco países permanentes e com direito a veto atualmente, só Rússia e China participaram do encontro. Os EUA foram chamados na qualidade de observador. França e Grã-Bretanha não receberam convite.

"A época em que uma elite decide por conta própria acabou", disse o chanceler italiano, Franco Frattini, após a reunião, cobrando uma maior representação para países pequenos e médios, ou mesmo para continentes como a África.

"Uma abordagem onde o Conselho de Segurança se torne um clube ainda mais exclusivo, à custa de todos os outros membros da ONU, não serviria aos interesses de longo prazo das Nações Unidas", afirmou.

A composição do Conselho de Segurança reflete em grande parte o equilíbrio de poder existente no mundo imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, e a maioria dos membros concorda que uma ampliação refletiria a realidade contemporânea.

Mas rivalidades regionais e o desejo das grandes potências de não diluírem seu poder atual dificultam qualquer acordo.

O Conselho de Segurança, que tem poder de impor sanções e enviar tropas de paz, tem cinco membros permanentes com direito a veto, além de dez membros temporários, com mandatos de dois anos, sem direito a veto, eleitos segundo critérios regionais.

A Itália propõe uma ampliação de 10 para 25 no número de vagas temporárias. O atual número foi estabelecido em 1965.

A eventual reforma terá de ser aprovada por dois terços dos 192 países da ONU, e sem nenhum veto dos atuas cinco integrantes permanentes.

Vários planos já foram apresentados sobre a ampliação, quase todos contemplando uma vaga para a América Latina. Mas há discordâncias sobre quantas novas vagas haveria, quem as ocuparia, se elas seriam permanentes, semipermanentes ou por tempo limitado, e quais novos Estados receberiam poder de veto.

(Reportagem adicional de Patrick Worsnip, nas Nações Unidas)

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