Itália abandona plano de proibir sites que promovem ódio

Por Silvia Aloisi ROMA (Reuters) - A Itália abandonou o plano de proibir os sites que promovem o ódio na Internet, apesar da promessa de medidas radicais depois que surgiram na rede páginas de fãs que elogiaram o ataque ao primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

Reuters |

O ministro do Interior Roberto Maroni, que havia proposto o bloqueio a esses sites depois da agressão ao primeiro-ministro, disse ao final de uma reunião na terça-feira com executivos do Facebook, Google, Microsoft e provedores de serviços de Internet que buscaria uma solução por meio de um código voluntário de conduta, e não através de novas leis.

"Caso surja acordo quanto a isso, seria o primeiro desse tipo no mundo", disse ele, acrescentando que as negociações serão retomadas em janeiro.

Os aliados de Berlusconi estavam furiosos com as páginas de fãs de Massimo Tartaglia, que golpeou Silvio Berlusconi no rosto em 13 de dezembro depois de um comício em Milão. As páginas de tributo, especialmente no Facebook e YouTube, começaram a surgir horas depois do ataque.

Em comunicado divulgado na semana passada, o Facebook anunciou que tomaria medidas rápidas para remover qualquer conteúdo denunciado à empresa com ameaças diretas a um indivíduo.

O site fechou a maior das páginas de fãs de Tartaglia, que havia conquistado 100 mil adesões em menos de 48 horas, mas na terça-feira pelo menos dois outros grupos pró-Tartaglia eram visíveis.

Também surgiu um vídeo no YouTube que lança dúvidas sobre a autenticidade do ataque, alegando que ele foi encenado.

Maroni, membro da Liga Norte, um partido de extrema direita, havia prometido inicialmente a aprovação de um decreto de emergência que bloquearia os sites de ódio.

Mas críticos disseram que isso levava jeito de censura, e um membro do partido oposicionista Italia dei Valori comparou as medidas planejadas às tentativas de controlar o uso da Internet na China e no Irã.

O Facebook anunciou em seu comunicado que, embora promover a violência ou fazer ameaças não fosse permitido em suas páginas, "os debates online refletem o que acontece offline, nas conversas entre as pessoas em casa, via telefone ou por e-mail".

O site tem mais de 12 milhões de usuários ativos na Itália, ou 20 por cento da população do país.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG