Itália: 272 mortos e pouca esperança de encontrar sobreviventes

As esperanças de resgatar sobreviventes do violento terremoto que castigou o centro da Itália na segunda-feira diminuem de hora em hora, enquanto o país se prepara para os funerais nacionais previstos para esta Sexta-feira Santa.

AFP |

O balanço provisório é de 272 mortos, incluindo 16 crianças, de acordo com os últimos dados divulgados nesta quarta à noite (hora local) pelos carabineiros de L'Aquila.

Pouco antes, em uma entrevista coletiva nessa cidade medieval devastada pelo terremoto, o presidente do Conselho italiano, Silvio Berlusconi, anunciou que havia "100 feridos graves", acrescentando que "temíamos 1.000 vítimas".

Berlusconi disse ainda que o sismo deixou 28.000 desabrigados, e não 17.000 como foi informado anteriormente. Segundo ele, todos se encontram instalados em cerca de 3.000 barracas de campanha, distribuídas em 31 acampamentos.

O ministro para as Relações com o Parlamento, Elio Vito, declarou que o número de desaparecidos chega a 11, e o de feridos, a 1.179.

O premier Berlusconi confirmou que as cerimônias fúnebres previstas para a Sexta Santa serão oficiadas pelo bispo de L'Aquila, monsenhor Giuseppe Molinari, que se salvou, milagrosamente, da queda da sede histórica do arcebispado, e presididas pelo Secretário de Estado e número dois do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone.

Esta sexta-feira será declarada dia de luto nacional na Itália.

Diante dos milhares de peregrinos italianos que assistiam à audiência geral na Praça de São Pedro, o Papa anunciou, hoje, que "assim que for possível" visitará a região do sismo.

Enquanto isso, os socorristas continuavam seu extenuante trabalho de resgatar corpos, sobretudo, na parte histórica de L'Aquila, onde milhares de prédios e monumentos desabaram, entre eles várias basílicas e jóias arquitetônicas.

"A esperança é a última que morre, mas é difícil mantê-la. O prédio desabou completamente", admitiu, angustiado, o tio de um dos jovens desaparecidos na Casa do Estudante, ao lado de outros familiares, que choravam por seus entes queridos. Uma senhora não aguentou e desmaiou, após horas de ansiosa espera.

As primeiras vítimas começaram a ser enterradas nesta quarta, antes da cerimônia oficial na sexta-feira.

Entre as vítimas fatais, estão a argentina Andrea Passamonti e seu bebê de cinco meses, disseram fontes diplomáticas argentinas. Andrea, de 38, vivia em Onna, com o marido, que também morreu no terremoto.

O último milagre da tragédia foi o resgate com vida da jovem Eleonora, uma estudante de 21 anos, na terça-feira à noite, após passar 42 horas sob os escombros.

As tarefas de resgate prosseguirão até domingo, anunciou o ministro italiano do Interior, Roberto Maroni. Em seguida, terão início os trabalhos de reconstrução, que "não serão fáceis, nem breves", completou.

Berlusconi, que garantiu estar há 44 horas sem dormir, não deixou passar nem a tragédia para fazer uma de suas piadas. O premier aconselhou os sobreviventes do terremoto, alojados provisoriamente em barracas, a encarar a situação como "um fim de semana de camping".

Ele se comprometeu ainda a garantir a reconstrução da região devastada e lançou a ideia de que cada região da península construa 100 cidades modelos para os que ficaram sem teto.

O país vive uma verdadeira corrida de solidariedade. Várias instituições abriram contas correntes para arrecadar dinheiro para as vítimas, o que não evitou a presença de saqueadores. Dois foram detidos em Onna.

A 35ª rodada do campeonato de futebol da série B, prevista para sexta, foi adiada para a próxima terça, em sinal de luto.

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