Israelenses votam em eleição marcada por equilíbrio

JERUSALÉM (Reuters) - Os israelenses votaram nesta terça-feira em uma equilibrada eleição parlamentar entre o líder de direita Benjamin Netanyahu e o partido centrista da ministra do Exterior, Tzipi Livni. A eleição não serviu como referendo sobre a continuidade das conversas de paz com os palestinos, mas a segurança do país após a ofensiva contra o Hamas em Gaza foi questão central.

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Antes líder disparado nas pesquisas de intenção de voto, o ex-premiê Netanyahu perdeu espaço para Livni. O partido de ultradireita do candidato Avigdor Lieberman também cresceu em uma campanha ofuscada pela guerra em Gaza, na qual 1.300 palestinos e 13 israelenses morreram.

"Será um grande dia. Teremos uma boa vitória", disse Netanyahu em Jerusalém, antes de percorrer o país para se encontrar com partidários.

Livni, que defende a solução de dois Estados, coordenou conversas de paz com os palestinos, interrompidas no ano passado mas que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deseja reiniciar. O líder do Likud Netanyahu tem posição mais conservadora sobre a concessão de territórios ocupados ao palestinos.

Um canal de televisão divulgou pesquisa revelando que 30 por cento dos eleitores ainda estavam indecisos na véspera da votação.

Com tempo ruim em todo o país, havia expectativa de baixo comparecimento. Mas cerca de 60 por cento dos eleitores compareceram às urnas, número maior do que as eleições de 2006, de acordo com informações das TVs.

Projeções de resultados devem ser divulgadas às 18 horas de Brasília.

Livni também estava otimista com a votação.

"Com chuva ou sem chuva, com frio ou calor, vá a um posto de votação e decida em quem votar, não por desespero mas por esperança", ela disse à repórteres durante uma das várias paradas do dia.

CANDIDATOS E CAMPANHA

Livni, 50 anos, ex-funcionária do Mossad (serviço de inteligência), pode ser a primeira mulher a governar Israel desde Golda Meir, na década de 1970.

Netanyahu, 59 anos, um ex-ministro das Finanças, e o quarto colocado e líder do Partido Trabalhista Ehud Barak, 66 anos, ex-general, já ocuparam o cargo de primeiro-ministro.

O ultradireitista Lieberman, uma possível ameaça a Netanyahu, viu sua popularidade aumentar desde o fim do conflito em Gaza, em 18 de janeiro. Seu partido, o Yisrael Beiteinu, promete endurecer com os palestinos e os cidadãos árabes de Israel, e apoia assentamentos judeus na Cisjordânia ocupada.

"A chuva é uma bênção. Israel precisa de muita chuva. Acho que as pessoas sairão para votar mesmo que houver um furacão", ele disse.

Em um incidente que evidencia a crescente tensão entre judeus e árabes, a polícia impediu rapidamente um enfrentamento entre o parlamentar ultradireitista Arieh Eldad e residentes de Um al-Fahm, que exigiam, durante visita, sua saída da cidade árabe.

O ministro da Defesa, Ehud Barak, cresceu nas pesquisas após o fim da ofensiva em Gaza e alguns simpatizantes acreditam que ele pode surpreender o país. Mas levantamentos indicam que o Partido Trabalhista pode ter seu pior desempenho na história.

Os israelenses votam por partido, e os assentos no parlamento são distribuídos de acordo com a representação proporcional e por lista partidária. O partido com o maior número de votos é geralmente chamado a formar o governo.

Pode levar semanas até que uma coalizão seja formada.

O primeiro-ministro Ehud Olmert, que deixa o cargo após um escândalo de corrupção em setembro, ficará no cargo até que o novo gabinete tome posse.

O jornal esquerdista Haaretz disse que Netanyahu e Livni não são candidatos ideais, mas recomendou o voto em Livni devido ao seu apoio a um processo de paz com os palestinos, "a questão mais importante em jogo".

As autoridades de Israel fecharam os acessos da Cisjordânia, impedindo os palestinos de entrarem em Israel durante a votação, segundo o Exército. Cerca de 16 mil policiais estão mobilizados no país inteiro.

A campanha foi menos animada do que em pleitos anteriores. Alguns atribuíram isso à recente guerra em Gaza, que arrefeceu os ânimos e levou à suspensão dos comícios durante várias semanas.

Em Gaza, palestinos disseram estar certos de que nada mudaria qualquer que fosse o vencedor. Na Cisjordânia não havia nenhum sinal de esperança de que o resultado poderia reavivar o processo de paz.

(Reportagem de Dan Williams e Allyn Fisher-Ilan em Jerusalém e Douglas Hamilton)

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