Israelenses riem de si mesmos com novo filme de Adam Sandler

Daniela Brik Jerusalém, 5 jul (EFE).- Graças a uma comédia que tem como protagonista um disparatado soldado judeu que resolveu se tornar um sensual cabeleireiro de Nova York, os israelenses recebem com gargalhadas as piores críticas sobre eles e seus vizinhos árabes.

EFE |

O filme "Zohan - O Agente Bom de Corte" (You Don't Mess with the Zohan) não passou despercebido em Israel. Desde sua estréia há poucas semanas, recebeu todo o tipo de crítica e já é considerado "o filme mais israelense" feito em Hollywood.

Isso não só pelo discurso dos atores israelenses ou pela trilha sonora, repleta de músicas cantadas em hebraico por grupos locais, mas também devido aos diálogos e à caracterização dos personagens, que gesticulam exageradamente e pronunciam "erres" de forma exacerbada.

Cartazes com o protagonista segurando um secador de cabelo como se fosse uma arma, com shorts curtos e com uma chamativa corrente prateada em forma de estrela no pescoço aparecem em outdoors e pontos de ônibus por toda Israel.

No filme, que promete ter uma das maiores bilheterias do verão, Adam Sandler interpreta Zohan Dvir, um membro de uma unidade de elite do Exército israelense cansado de matar terroristas nas operações mais arriscadas.

O jornal "Ha'aretz" tentou inclusive relacionar o personagem com o ex-general-de-brigada chamado Zohar Dvir, cuja unidade matou 129 militantes na segunda Intifada.

Apesar de sua habilidade na hora de quebrar paredes com as pernas em um golpe de caratê, parar balas com os dentes e nadar mais rápido que um jet ski e sua desenvoltura com as mulheres, o protagonista do longa-metragem simula sua morte para tentar uma nova vida em Nova York.

Na cidade, começa a seguir seu sonho de se transformar em um cabeleireiro louco por uma estética curiosa e fã do estilista Paul Mitchell.

O israelense simula ser australiano e faz seus primeiros trabalhos com a tesoura em um salão dirigido por uma palestina, que atrai centenas de mulheres de meia idade.

Tudo acontece em um bairro nova-iorquino onde árabes e judeus chegam a conviver em relativa paz rindo um dos outros.

O filme, que tenta ligar as duas comunidades ao zombar de seus estereótipos mais conhecidos, atrai o espectador israelense, que vê no protagonista um claro representante popular.

Zohan come húmus (uma pasta de grãos-de-bico tipicamente oriental) sem parar -até escova os dentes com ela-, bebe um refresco laranja de duvidosa procedência, é um desaforado animal sexual e não conhece as boas maneiras.

Os israelenses residentes de Nova York com que ele encontra pelo caminho respondem ao estereótipo do emigrante mais característico da cidade, aquele que trabalha em uma loja de eletrônica e tenta a todo custo empurrar seus produtos para os clientes.

Os árabes têm em John Turturro seu protagonista. The Phantom (O Fantasma) é um terrorista que, após acreditar ter matado Zohan, se transforma em um herói nacional, aparece sempre rodeado de mulheres com véu e monta uma franquia de comida oriental.

Nos cinemas israelenses o público se diverte com cenas como a que desesperados palestinos tentam ligar para a milícia xiita libanesa Hisbolá após descobrir o israelense em Nova York.

"Bem vindo ao serviço telefônico do Hisbolá. O departamento de auxílio aos terroristas está suspenso temporariamente enquanto mantemos negociações com Israel", diz o homem que atende a ligação.

"O filme me divertiu muito. As duas partes têm que rir, os israelenses são mostrados como loucos após o serviço militar e os palestinos como terroristas", diz Ruben Goldberg, de 23 anos, após ver o filme em um cinema de Jerusalém.

"É curioso como nos vêem os americanos. Temos que rir mais do conflito", comenta o também israelense Noam Nevou. EFE db/rr

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