Israelenses prometem retomar construção de assentamentos

O prazo do congelamento parcial da construção dos assentamentos israelenses na Cisjordânia expira neste domingo

iG São Paulo |

Líderes dos colonos israelenses na Cisjordânia rejeitaram em termos duros o apelo do presidente americano, Barack Obama, para que Israel estenda o congelamento da construção dos assentamentos. "Hussein Obama é um político insolente e racista", disse Gershon Messica, líder dos colonos israelenses no norte da Cisjordânia, ao jornal israelense Haaretz, após o discurso do presidente americano durante a Assembleia Geral das Nações Unidas.

Na ocasião, Obama expôs sua visão sobre a paz no Oriente Médio e pediu que Israel mantenha o congelamento da construção dos assentamentos.

AP
Palestinos jogam pedras contra forças de segurança de Israel em Jerusalém Oriental, nesta sexta-feira
Os líderes dos colonos prometeram retomar a construção na semana que vem. Messica declarou que o congelamento foi uma medida "racista, aplicada somente contra judeus" e afirmou que é inconcebível que o primeiro-ministro israelense "se submeta novamente e de forma vergonhosa aos caprichos de Obama".

O prazo do congelamento parcial da construção dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, decretado há dez meses pelo premiê israelense Binyamin Netanyahu, deverá expirar no próximo domingo, dia 26. Netanyahu já disse que não pretende estender o prazo, apesar do apelo dos Estados Unidos e da União Europeia.

Reação palestina

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, declarou várias vezes que vai romper as negociações de paz iniciadas em Washington no início do mês sob os auspícios dos Estados Unidos se Israel retomar a construção nos territórios ocupados. "Deve ser mantido um congelamento total em relação à atividade de colonização nos territórios palestinos, incluindo Jerusalém. Rejeitamos qualquer solução parcial", afirmou seu porta-voz, Nabil Abu Rudeina, nesta sexta-feira à AFP em Nova York.

"As soluções parciais não criam um ambiente propício para continuar com as negociações", acrescentou em relação às conversas diretas com Israel iniciadas no início do mês depois de 20 meses sem diálogo.

Dois dias antes do termino do prazo o governo americano reforçou a pressão sobre os dois lados para que não interrompam as negociações "em hipótese nenhuma" e tenta encontrar uma fórmula que permita que tanto Netanyahu como Abbas possam continuar negociando sem perder sua credibilidade interna.


No entanto, em dezenas de assentamentos israelenses na Cisjordânia, líderes dos colonos já afirmaram que vão retomar a construção independentemente da decisão do governo. O líder do Conselho de Judeia e Samaria (nome bíblico para a Cisjordânia), Dani Dayan, declarou que o apoio do presidente Obama à "chantagem" de Abbas "demonstra que ele não é um mediador justo". De acordo com a imprensa local, a maioria dos deputados do partido de Netanyahu, o Likud, também é contra o prolongamento do congelamento.

Em declarações ao site de notícias israelense Ynet, o deputado do Likud Dani Danon convidou Obama a "ligar a CNN no domingo e assistir aos tratores que retomarão a construção na Terra de Israel". De acordo com a ONG israelense Paz Agora, cerca de duas mil novas casas nos assentamentos já obtiveram as licenças necessárias e a construção delas poderá ser iniciada já na semana que vem. Segundo o jornal Haaretz, em vários assentamentos o plano é de construir com métodos modernos e rápidos, para terminar as casas "antes que o governo mude a política". Com os novos métodos de construção é possível erguer uma casa de 100 m² em cerca de dois meses.

Violência

Forças da Marinha israelense mataram nesta sexta-feira um pescador palestino de 20 anos que trabalhava nas águas da faixa de Gaza, informaram testemunhas e fontes médicas na região palestina. "Os soldados israelenses atiraram em seu peito e ele morreu a caminho do hospital", informou um porta-voz dos serviços médicos militares do Governo do Hamas em Gaza, Adhan Abu Selmeya.
AMIR COHEN/Reuters/Newscom
Palestino discute com policial israelense ao tentar entrar em Jerusalém

Segundo testemunhas no litoral de Gaza, os navios da Marinha israelense abriram fogo contra vários barcos de pescadores que navegavam perto da praia de Al Sudaneya, no norte do território palestino. Muitas das embarcações foram danificadas pelos disparos.

Uma porta-voz militar disse à Agência Efe que "um barco palestino saiu da área marítima designada para a pesca. Unidades da Marinha dispararam para o ar para alertá-los e, quando o barco se negou a retroceder e retornar à zona designada, dispararam contra ele". "Estamos investigando as informações que asseguram que um pescador foi atingido por bala", acrescentou a porta-voz, que explicou que o Exército israelense limita a três milhas náuticas desde a costa o espaço no qual permite que os pescadores palestinos trabalhem.

Em outro episódio, a polícia israelense prendeu 18 palestinos suspeitos de envolvimento nos distúrbios que ocorreram nas últimas 48 horas em Jerusalém Oriental, informou nesta sexta-feira seu porta-voz, Micky Rosenfeld.

Nesta sexta-feira foram registrados distúrbios nos bairros árabes de Wadi Joz, Ras al Amud e Silwan, onde jovens palestinos jogaram pedras e, em algumas ocasiões, coqueteis molotov contra as forças de segurança israelenses, segundo fotógrafos da AFP.

As forças de segurança, com o apoio da polícia montada, responderam com balas de borracha e gases lacrimogêneos. Dois dirigentes locais do movimento Fatah, de Abbas, Mahmud Abasi e Adnan Gheit, figuram entre os detidos, indicou, em um comunicado, o Fatah, que denunciou esta detenções e assegurou que "seguirá lutando para proteger a população" contra os colonos israelenses. Jovens palestinos e policiais israelense se enfrentaram na quinta-feira no bairro árabe de Isauia, no setor oriental de Jerusalém.

* Com BBC, EFE, e AFP

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