Israelenses mataram mais de 6 mil palestinos desde 2000, diz relatório

(embargada até as 21h01 de Brasília). Londres, 4 mar (EFE).- Mais de seis mil palestinos - a maioria civis - morreram em ataques militares israelenses de 2000 a 2009, segundo relatório publicado hoje pela revista médica britânica The Lancet.

EFE |

Sem contar a ofensiva israelense lançada no final do ano passado na Faixa de Gaza, o número de vítimas fatais já supera 4.700, incluindo 900 crianças, acrescenta o documento, intitulado "Saúde nos Territórios Ocupados Palestinos".

Nos 22 dias da recente campanha das Forças Armadas de Israel em Gaza, cerca de 1.380 palestinos - mais de 30% deles mulheres e crianças - morreram.

Além disso, cerca de 35 mil palestinos ficaram feridos nos últimos nove anos pelo conflito no Oriente Médio.

O documento publicado hoje analisa o sistema de saúde palestino e foi apresentado no Colégio de Pediatras e Saúde Infantil de Londres.

É resultado de dois anos de trabalho de médicos palestinos que colaboraram com colegas da Organização Mundial da Saúde (OMS), assim como com outras agências da ONU e instituições acadêmicas de Estados Unidos, Reino Unido, Noruega e França.

O sistema de saúde palestino é formado por serviços fragmentados, dado o impacto de "60 anos de contínuas condições bélicas e de 40 anos de ocupação militar israelense na Cisjordânia e na Faixa de Gaza", afirmou Rita Giacaman, da Universidade de Bir Zeit, situada na região de Ramala.

Como exemplo dos desafios enfrentados pelo sistema de saúde nos territórios ocupados, onde residem 3,8 milhões de pessoas, Rita citou, entre outros, a mortalidade infantil, que se estagnou em uma taxa de 27 para cada mil nascimentos entre 2000 e 2006, ficando no mesmo patamar registrado no final da década de 1990.

Ainda assim é um indicador muito elevado, sobretudo quando comparado à taxa de 3,9 para cada mil nascimentos de Israel, acrescentou a especialista.

Segundo Rita, os serviços palestinos de assistência médica são "inadequados", e por isso muitos deles buscam ajuda em Israel, Egito e Jordânia.

Tais carências são atribuídas a diversas causas, como a falta de desenvolvimento sob ocupação militar israelense e a "má administração" da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

O relatório revela dificuldades que, com grande frequência, acometem mães palestinas na hora de dar à luz.

O Ministério da Saúde da ANP contabilizou, entre 2000 e 2006, 69 casos de mulheres palestinas que deram à luz em postos de controle militar israelenses.

Situações desse tipo requerem, na opinião dos autores do estudo publicado hoje, "uma solução política de mobilidade sem restrições, para garantir acesso a serviços" sanitários.

Os especialistas reforçam que "a separação da Faixa de Gaza e o bloqueio quase impermeável de sua população só podem piorar a saúde e a capacidade de garantir cuidados sanitários".

Em Gaza, "pelo menos 3.500 mulheres deram à luz" durante o recente ataque israelense, algo que, segundo afirmou Rita em entrevista coletiva, induz a dúvidas sobre "o futuro dessas crianças".

Os autores do relatório acreditam que "a melhor solução para a saúde nos territórios ocupados palestinos é (a criação de) um Estado palestino soberano". Estão convencidos de que o setor "pode se transformar em uma parte integral da solução política ao conflito na região".

Sobre o relatório, o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter afirma que o novo Governo americano, liderado por Barack Obama, oferece "esperanças" para um "acordo de paz sustentável".

De acordo com Carter, o estudo deveria insuflar a comunidade internacional em nome de "uma urgência para a resolução desse durável conflito, levando paz, saúde e esperança a palestinos e israelenses". EFE pa/fr

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