Israelenses marcham em 44º aniversário da ocupação de Jerusalém Oriental

Manifestação reuniu cerca de 45 mil; 15 foram detidos por polícia de Israel em meio a confrontos entre árabes e israelenses

iG São Paulo |

Cerca de 45 mil israelenses comemoraram nesta quarta-feira o aniversário de 44 anos da ocupação da parte oriental de Jerusalém durante a guerra de 1967 com uma marcha iniciada no bairro palestino de Sheikh Jerrah. A marcha resultou em confrontos entre árabes e israelenses e levou à prisão de 15 pessoas, de acordo com a polícia de Israel.

Conhecido como Dança das Bandeiras, o evento reuniu moradores com bandeiras israelenses que seguiram do bairro palestino até a Cidade Velha.

AP
Evento conhecido como Dança das Bandeiras reuniu moradores com bandeiras israelenses que seguiram até a Cidade Velha
O status de Jerusalém é uma das questões mais espinhosas no conflito israelense-palestino. De acordo com as lideranças palestinas, uma das condições para que seja possível um acordo de paz com Israel é que Jerusalém Oriental seja a capital do futuro Estado Palestino e Jerusalém Ocidental permaneça a capital de Israel.

Mais de 200 mil cidadãos israelenses moram hoje em dia em Jerusalém Oriental, parte da cidade  anexada por Israel depois da ocupação, em 1967.

Netanyahu

Os eventos foram abertos com um discurso do primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que declarou que o país jamais concordará em voltar à situação existente em Jerusalém antes da guerra de 1967. "Naquela época Jerusalém era uma cidade dividida e ameaçada. Jamais concordaremos que nossa capital volte a ser dividida".

No discurso, Netanyahu mencionou sua infância em Jerusalém, quando a parte oriental da cidade, onde se encontram os lugares sagrados das três religiões monoteístas, estava sob controle da Jordânia. "A cidade se encontrava sob bombardeios ou ameaças de bombardeios constantes". Ele afirmou também que para ver a Cidade Velha "tinha de olhar de longe e subir" em prédios altos.

Autoridades israelenses mobilizaram 3 mil policiais para garantir a segurança dos eventos do Dia de Jerusalém. Mesmo assim, participantes se confrontaram com manifestantes de esquerda que protestavam contra o ato por considerá-lo uma "provocação" contra os palestinos.

Forças de segurança prenderam 14 pessoas - entre árabes, israelenses e um turistas - em meio a conflitos entre palestinos e isralenses. De acordo com o porta-voz da polícia israelense, Michey Rosenfeld, um israelense e um árabe foram feridos por pedras que foram atiradas.

O grupo pacifista Gush Shalom (Bloco da Paz, em tradução livre) protestou contra o evento, afirmando que "a marcha provocadora dos colonos simboliza a mentira da 'unificação' de Jerusalém". O Gush Shalom, que exige o cancelamento das comemorações do Dia de Jerusalém, afirma que "não houve unificação, mas sim a criação de um regime de ocupação que oprime os palestinos de Jerusalém Oriental".

Futuro

O vice-prefeito de Jerusalém, David Harari, que participou da Dança das Bandeiras, disse ao jornal Maariv que "judeus podem morar em qualquer lugar de Jerusalém, sem restrições". "A prefeitura pretende ampliar e fortalecer o bairro de Shimon Hatzadik", afirmou o vice-prefeito, em referencia ao assentamento israelense que está sendo construído no bairro palestino de Sheikh Jerrah, escolhido pela prefeitura como local das comemorações.

No entanto, o deputado árabe israelense, Ahmad Tibi, criticou a decisão da prefeitura de realizar os eventos no bairro palestino. Ele afirmou que o Dia de Jerusalém é uma "festividade mentirosa que marca a ocupação de Al Kuds (nome da cidade em árabe) por dançarinos com bandeiras e políticos embriagados e acometidos pela síndrome mortal de Jerusalém, que os enlouquece".

*Com BBC e AP

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