Israelenses e palestinos concordam em continuar com diálogo, diz Jordânia

Chanceler jordaniano reconhece que não houve avanço significativo na reunião, mas elogia a 'positiva' atmosfera do encontro

iG São Paulo |

AP
O chanceler jordaniano Nasser Judeh participa de uma coletiva para comentar sobre a reunião entre israelenses e palestinos
A reunião entre os representantes israelenses e palestinos não teve nenhum avanço significativo, como já era esperado. Porém, em um pequeno sinal de progresso, os dois lados concordaram em continuar o diálogo, segundo disseram autoridades.

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A retomada de quaisquer tipos de contatos já seria considerada uma realização, embora Israel e os palestinos continuem longe de um acordo sobre os problemas pontuais para resolver seu conflito que já dura décadas.

O chanceler jordaniano, Nasser Judeh, que foi o anfitrião da reunião desta terça na capital da Jordânia, Amã, expressou esperança. "A coisa importante é que os dois lados se encontraram cara a cara hoje", disse.

Embora reconheça que nenhum avanço "substancial" tenha sido feito, ele elogiou a atmosfera positiva e disse que os lados concordaram em prosseguir com o diálogo, alguns realizados em segredo.

"Nós concordamos que as discussões continuarão, que os encontros continuarão e serão realizados aqui na Jordânia. Nós também concordamos que não devemos tornar esses encontros públicos antes da hora, exceto por meio da Jordânia, e eu digo que vocês podem ficar sabendo deles, ou podem não ficar sabendo."

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, encorajou as partes em "construir encontros e continuar trabalhando para estabelecer impulsos em direção à paz".

Em Washington, um porta-voz da Casa Branca elogiou os "desenvolvimentos positivos". Ele disse que o presidente Barack Obama iria trabalhar com líderes na região e fazer "tudo que possa trazê-los juntos à mesa de negociação".

O encontro ocorre um dia depois de o presidente palestino ter ameaçado tomar "novas medidas" contra Israel até o fim do mês.

O chanceler jordaniano disse que Yitzhak Molcho, de Israel e o representante palestino, Saeb Erekat, se encontraram com enviados do Quarteto para o Oriente Médio - Estados Unidos, Rússia, União Europeia e Nações Unidas.

Depois, os dois se reuniram na presença do anfitrião jordaniano, o chanceler Nasser Judeh, para trocar posições em assuntos importantes para a segurança das fronteiras entre Israel e um futuro Estado palestino.

Um diplomata que participou da reunião disse que o tom das conversas foi "sério". "Foi uma sessão na qual os dois lados, os israelenses e os palestinos, mostraram ânsia em recomeçar as negociações de paz", disse o diplomata. Ele se negou a dar mais detalhes, acrescentando que comentários públicos poderiam afetar negativamente o sensível encontro.

O Quarteto tem trabalhado há meses para garantir uma retomada nas negociações de paz. O grupo internacional espera chegar a um acordo final de paz no final do ano. Por agora, simplesmente retomar o processo de paz marcaria uma significante realização.

As negociações entre israelenses e palestinos foram interrompidas em setembro de 2010 depois que expirou o prazo para a desaceleração das construções de assentamentos realizados por Israel.

Os palestinos recusaram voltar à mesa de negociações enquanto os assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental - áreas tomadas por Israel na Guerra de 1967 , que os palestinos esperam que faça parte do seu futuro Estado. Eles também querem que Israel se comprometa em recuar para o território definido antes da guerra.

A comunidade internacional tem apoiado as posições dos palestinos em relação aos assentamentos e às fronteiras, mas discorda em que essas sejam condições para o restabelecimento de um diálogo.

Antes da reunião de terça-feira, o presidente palestino Mahmud Abbas disse que se Israel aceitar suas condições "nós iremos negociar". Ele disse que os palestinos tinham estabelecido um prazo final até 26 de janeiro para retomar as negociações. "Depois dessa data, tomaremos medidas. E essas medidas serão duras."

Abbas acrescentou que nenhuma decisão foi tomada até o momento. Autoridades palestinas disseram que estão considerando retomar seu impulso para se tornar membro da ONU, assim como outras maneiras de isolar Israel na organização.

Autoridades israelenses se negaram a tecer comentários enquanto a reunião acontece. O premiê Benjamin Netanyahu rejeitou as reivindicações palestinas sobre as construções de assentamentos, acrescentando que as conversas deveriam ter início imediato, sem pré-condições.

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O encontro ocorre em meio à tentativa de Abbas em se reconciliar com o grupo militante Hamas , que controla a Faixa de Gaza desde 2007. Israel alertou que não negociará com um governo palestino que inclua o Hamas, que é considerado um grupo terrorista. Hamas, que é comprometido com a destruição de Israel, pediu que Abbas cancelasse o encontro desta terça-feira.

Após as declarações do porta-voz da Jordânia, o líder do Hamas, Ismail al-Ashqar, qualificou as conversas como "muito decepcionantes". "Se essas negociações continuarem, isso será um total desastre para a reconciliação palestina", disse.

O rei Abdullah II da Jordânia implorou que palestinos e israelenses retomem negociações. Abdullah está preocupado com a crescente influência de grupos islâmicos no Oriente Médio e teme que a diminuição dos esforços de paz fortaleça os radicais.

Com AP

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