Israelenses e palestinos apóiam processo em favor de convivência pacífica

Cairo, 9 nov (EFE).- Após uma reunião com mediadores de alto nível que acabou com poucos resultados, israelenses e palestinos se comprometeram hoje a continuar com seu diálogo em um processo irreversível que busca ratificar um acordo de convivência pacífica.

EFE |

O compromisso foi aprovado pelo Quarteto de Madri para o Oriente Médio, grupo criado em 2002 para incentivar o diálogo entre israelenses e palestinos, e do qual fazem parte Estados Unidos, Rússia, ONU e União Européia (UE).

Representantes israelenses e palestinos se reuniram hoje com membros do Quarteto na região egípcia de Sharm el-Sheikh, em uma rodada de reuniões que, inicialmente, não se esperava que apresentasse resultados importantes para o processo de paz.

O comunicado final aprovado ao término das reuniões pede "que a comunidade internacional apóie os contínuos esforços das partes no marco do processo de Annapolis (EUA)".

Em 27 de novembro do ano passado, Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP) se comprometeram em Annapolis a ratificar a paz antes do fim deste ano, em um acordo que envolveria a criação de um Estado palestino convivendo com o de Israel.

"Acho que o processo de Annapolis se transformou na resposta da comunidade internacional e das partes para alcançar um fim ao conflito entre palestinos e israelenses", afirmou a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.

Rice foi uma das personalidades que participaram da reunião de hoje. Ela foi acompanhada, entre outros, pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e pelo alto representante de Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana.

As declarações de alguns dos participantes da reunião insistiram na necessidade de que o processo atual de mediação entre palestinos e israelenses siga após a transferência de comando na Casa Branca, programada para 20 de janeiro do próximo ano.

"O mais importante é que a nova Administração nos EUA trate este tema desde o primeiro dia sabendo que há alicerces sobre os quais é possível construir", afirmou o representante do Quarteto de Madri, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair.

O comunicado final, lido por Ban aos jornalistas e retransmitido pela TV, pede às partes envolvidas no conflito entre israelenses e palestinos que cumpram seus compromissos em direção à paz, respeitem a trégua e parem a violência.

Além disso, o Quarteto pediu a Israel que pare a construção de novos assentamentos nos territórios palestinos e deu as boas-vindas ao recente posicionamento de tropas palestinas na cidade de Al-Khalil.

Quanto ao diálogo para que as diversas facções palestinas superem suas divergências, Ban disse que os diferentes grupos devem trabalhar juntos, algo confirmado na entrevista coletiva final pelo presidente da ANP, Mahmoud Abbas.

"Estou disposto a participar da facilitação não só do processo político, mas também das operações para oferecer ajuda humanitária" aos palestinos na Faixa de Gaza, com cuja situação Ban disse estar muito preocupado.

A ministra de Assuntos Exteriores israelense, Tzipi Livni, confirmou que o Governo de Israel está interessado em alcançar a paz com os vizinhos e na criação de um Estado palestino.

"Em Annapolis, nós concordamos em iniciar negociações para chegar a um acordo", insistiu.

O pacto alcançado em Annapolis para chegar a "uma solução de dois Estados" tem sido o eixo central da diplomacia americana para palestinos e israelenses.

No entanto, o prazo dado para fechar o acordo antes do término do mandato do presidente americano, George Bush, aproxima-se do fim sem alcançar os resultados aos quais as partes haviam se comprometido.

Não eram esperadas grandes decisões na reunião de hoje, não só por causa da proximidade da mudança na Casa Branca, mas também devido à situação de israelenses e palestinos.

Tiveram influência, por um lado, as dificuldades para formar um novo Governo israelense, desde o anúncio da renúncia do primeiro-ministro Ehud Olmert, e a proximidade das eleições legislativas de 10 de fevereiro.

Além disso, continuam as divergências entre os principais grupos palestinos. Uma reunião programada para essa semana, no Egito, para tratar as diferenças foi adiada, após o Hamas anunciar que não compareceria ao diálogo proposto.

Por enquanto, as partes concordaram hoje em voltar a se reunir no próximo ano, em Moscou.

"Achamos que a primavera (hemisfério norte) de 2009 será uma boa oportunidade para continuar avançando", afirmou o ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov, que pediu ao Governo israelense que sair das eleições de fevereiro que apóie este processo. EFE hh/fh/an

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