Israelense quer tirar suas filhas de Gaza através de troca de presos

Saud Abu Ramadán. Beit Lahia (norte de Gaza), 22 dez (EFE).- Para Mahmoud al-Qedra, um avô de 56 anos que mora no norte de Gaza, ainda é difícil lembrar como sua nora israelense voltou para o Estado judeu levando três de seus netos e deixando outras três na faixa.

EFE |

Três anos depois, sua nora, Galit Popok, pediu ao Governo israelense que a ajude a reunificar seus filhos em Israel, ao incluir os três que deixou para trás em Gaza na troca de presos palestinos em troca do soldado israelense Gilad Shalit negociado entre Israel e o movimento radical islâmico Hamas.

Israelense de origem judaica, Galit se casou há dez anos em Nazaré, no norte de Israel, com Rami al-Qedra, um palestino com o quem teve seis filhos e que faleceu na ofensiva militar israelense de quase um ano atrás, na qual morreram 1.400 palestinos, em sua maioria civis.

O avô Mahmoud conta que Galit viveu com Rami e seus filhos durante uma década na casa que a família tem em Beit Lahia, onde mantinha uma boa convivência com os vizinhos e com os parentes após ter se convertido ao islã.

Mahmoud ainda lembra como os pais da judia se enfureceram ao ficarem sabendo que sua filha tinha se convertido ao islamismo e que vivia em Gaza.

"A raiva de seus pais não influenciou na vida que Galit e Rami tiveram durante dez anos, nos quais tiveram um menino e cinco meninas", ressalta.

O avô reconhece que os pais dela exerceram pressões para que retornasse a Israel, "mas Galit sempre insistiu em ficar e viver com seu marido e filhos".

No entanto, a sorte da família mudou há três anos, quando a israelense deixou sua família e levou três de seus filhos a seu país natal, deixando para trás o restante em solo palestino.

"Um dia disse que sua mãe estava doente e que precisava vê-la.

Galit foi a Israel com três de seus filhos em dezembro de 2006, deixando os outros três em casa. Desde então nunca retornou", diz o avô, com pesar.

As mais novas, as gêmeas Salima e Dalia, que hoje têm três anos de idade, tinham apenas 27 dias quando sua mãe as abandonou em Gaza junto com sua irmã mais velha Yasmin, de nove anos.

Galit levou para Israel seu único filho homem, chamdo Mahmoud, e outras duas meninas, Donian e Tamam.

A trágica história de separação da família se transformou em um assunto humanitário e político depois que a mãe fez um pedido judicial para que o resto de suas filhas pudesse viver com ela em Israel.

Galit pediu ao Executivo israelense que incluísse seus filhos no acordo de troca negociado entre Israel e o Hamas, que governa Gaza, para libertar o soldado israelense Gilad Shalit em troca de mil de presos palestinos.

"O preço que Israel terá que pagar para libertar Shalit é elevado e acho que também pode me ajudar a poder ter minhas filhas outra vez", disse Galit, na semana passada, ao jornal israelense "Maariv".

Os diferentes status legais dos filhos complicam a situação: os dois nascidos em Nazaré têm cidadania israelense, enquanto os quatro restantes são palestinos, nascidos em Gaza.

Galit, que hoje tem 28 anos, manteve durante todo tempo contato com seu marido e filhos, e, segundo seu sogro, "quando Rami pedia que ele voltasse para casa, ela respondia que o Governo israelense e seus pais não permitiam".

As autoridades israelenses ofereceram a Rami a oportunidade de viver no Estado judeu, mas o palestino sempre insistiu em que a mãe e seus filhos deviam voltar para seu lar em Gaza.

Em dezembro do ano passado, um bombardeio aéreo tirou a vida do pai e, após ficar sabendo da morte de seu marido, Galit solicitou que as autoridades deixassem suas outras três filhas saírem de Gaza.

O avô costuma levar as netas para visitar o túmulo de seu pai Rami e, por todos os meios, tenta mantê-las a seu lado.

Yasmin, a mais velha, diz sentir-se feliz vivendo com seus avôs, mas que sente saudades de sua mãe e irmãos.

"Quero que minha mãe volte para casa porque precisamos dela aqui conosco", afirma, antes de reclamar que, agora, seus irmãos em Israel falam somente hebraico, enquanto ela e suas irmãs em Gaza só entendem árabe. EFE Sa'ar-db-ap/pd

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