Uma israelense que faz parte de um grupo de pessoas que pregam o diálogo entre palestinos e israelenses na fronteira da Faixa de Gaza teve de deixar a sua casa e se mudar para Jerusalém, devido ao conflito. A psicóloga Naomi Benbassat vive na comunidade israelense de Moshav Ein Hab-sor, a cinco quilômetros da fronteira da Faixa de Gaza.

Ela faz parte do grupo Other Voice , que há oito anos estimula o diálogo entre famílias que vivem dos dois lados da fronteira. O objetivo do grupo é fazer com que israelenses e palestinos criem laços de amizade que possam levar à paz na região.

Naomi repassou à BBC Brasil relatos de uma mãe e sua filha que estão em uma das áreas atacadas por Israel na Cidade de Gaza.

Nour, de 14 anos, conta como ficou sabendo da morte de uma amiga próxima. A sua mãe, Nirmeen, fala da culpa que sente por não conseguir proteger seus filhos.

Filhos em perigo

A israelense Naomi e seus dois filhos deixaram a pequena comunidade de Moshav Ein Hab-sor - que tem pouco mais de mil habitantes - na semana passada, logo que começou o conflito entre Israel e o grupo palestino Hamas.

Ela se mudou para Jerusalém, para a casa dos seus pais, e só pretende voltar à sua comunidade quando entrar em vigor um cessar-fogo.

Ela conta que a cidade é "um lugar ótimo". Entre junho e novembro, a vida na cidade era tranqüila, devido a um cessar-fogo do Hamas. No entanto, em dezembro, os militantes palestinos voltaram a jogar foguetes contra as cidades israelenses do outro lado da fronteira.

"Não é possível viver uma vida normal quando existe uma ameaça tão grande toda a hora, especialmente quando se tem filhos. As crianças tinham muito medo e passavam a maior parte do tempo dentro de um abrigo antibombas", disse Naomi por telefone à BBC Brasil.

O maior problema, segundo ela, é a insegurança dos filhos, que estudam em uma escola que fica muito próxima da fronteira da Faixa de Gaza.

"Meus filhos estão bem. Esta viagem [para Jerusalém] está sendo como umas férias para eles, pois eles não estão indo à escola. Mas nós queremos voltar à nossa vida normal."

Crítica

Ela conta que muitas pessoas da fronteira também decidiram deixar as suas casas durante o conflito.

Desde que começou a operação militar de Israel, Naomi não tem conseguido manter contato direto com seus amigos da Faixa de Gaza, mas seus colegas do grupo Other Voice têm repassado a ela os relatos que vêm dos palestinos.

"O que posso dizer é que a situação está muito, muito, muito difícil lá em Gaza."

Naomi é crítica da operação de Israel no território palestino.

"Eu acredito que a única solução seja através do diálogo, não da violência. Eles [das Forças Armadas de Israel] entraram lá sem tentar negociar primeiro, então eu acho que foi errado desde o começo. O que está acontecendo agora é terrível", afirmou a ativista israelense.

"Depois da operação, nós ainda seremos vizinhos e teremos de conviver uns com os outros."

14º dia de bombardeios

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