Israel vincula acordo em Gaza a libertação de soldado

JERUSALÉM - Israel decidiu na quarta-feira não suspender o bloqueio à Faixa de Gaza até que o Hamas aceite libertar um soldado israelense capturado há mais de dois anos. Na prática, a decisão mantém em suspenso a proposta egípcia de cessar-fogo.

Reuters |


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O Hamas, que governa a Faixa de Gaza, recusou-se a vincular a troca de prisioneiros a um plano egípcio que prevê um cessar-fogo de 18 meses e a reabertura dos acessos ao território palestino, o que é vital para a reconstrução depois dos 22 dias de guerra em dezembro e janeiro.

AP
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O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, reuniu na quarta-feira seu gabinete de segurança para discutir até que ponto o governo deve ir para obter a libertação do soldado Gilad Shalit numa troca de prisioneiros com o Hamas.

Antes do encontro, Olmert insistiu que a libertação de Shalit precedesse uma eventual reabertura das fronteiras da Faixa de Gaza, num acordo que está sendo mediado pelo Egito como parte de uma possível trégua de longo prazo, depois da guerra de dezembro e janeiro entre Israel e o grupo palestino Hamas.

Refletindo essa opinião, o ministro do Interior, Meir Sheetrit, membro do gabinete de segurança, disse à Rádio Israel que os participantes foram unânimes em concordar que "seria inconcebível" observar uma trégua antes da libertação de Shalit.

Não está imediatamente claro se o gabinete de segurança deu aval a Olmert para preparar uma lista de prisioneiros palestinos a serem libertados numa eventual troca.

Shalit foi sequestrado em 2006 por militantes palestinos, dentro do território israelense, e levado por um túnel para Gaza.

"Estamos na hora da verdade. Se Gilad Shalit não vier para casa agora, isso pode se prolongar por muito tempo. Este é o momento da oportunidade", disse uma fonte oficial israelense.

Intransigência israelense

Fawzi Barhoum, porta-voz do Hamas, insistiu que o grupo não aceita uma vinculação entre a libertação do soldado e a trégua, que deve ser anunciada no domingo pelo Cairo.

"Não há conexão entre a questão de Shalit e (alcançar) a calma", disse Barhoum, acrescentando que o Hamas "não tem objeção" à libertação do soldado, desde que Israel liberte prisioneiros palestinos.

"Trata-se de uma intransigência israelense e de uma protelação sionista -- uma contínua colocação de obstáculos diante dos esforços egípcios", disse Barhoum após a decisão do gabinete de segurança.

Sheetrit disse antes da sessão que recuperar Shalit implicaria a libertação de centenas de prisioneiros. Diplomatas dizem que provavelmente seriam soltos quase 1.000 dos aproximadamente 11 mil palestinos presos em Israel.

Uma fonte oficial israelense disse que, mesmo havendo acordo sobre a lista de prisioneiros a serem soltos, ainda haveria uma discordância sobre para onde eles deveriam ser enviados após a troca.

"Queremos que sejam expelidos do país, mas o Hamas quer que eles voltem para seus lares (na Cisjordânia ou na Faixa de Gaza)", disse a fonte, referindo-se aos prisioneiros que Israel considera o maior risco à sua segurança.

Na terça-feira, Olmert disse esperar que Shalit seja solto ainda durante o seu governo -- ele está no cargo interinamente, à espera da formação de um novo gabinete depois da eleição parlamentar da semana passada.

Antes da reunião do gabinete, aviões israelenses bombardearam sete túneis, usados para o contrabando sob a fronteira Gaza-Egito, e um complexo de segurança no território palestino, segundo uma fonte oficial. Não há registro de vítimas.

O ataque foi realizado depois do disparo de morteiros de Gaza contra Israel, na terça-feira, também sem deixar feridos.

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