Israel vai retirar tropas de vila na fronteira libanesa

Região norte de Ghajar passará a ser controlada por forças da ONU em data ainda indefinida

iG São Paulo |

O governo israelense aprovou nesta quarta-feira um plano de retirada de suas tropas da metade norte de um vilarejo que, segundo a ONU, fica em território libanês. A região, que é motivo de tensão com o grupo islâmico libanês Hezbollah e a Síria, passará a ser controlada pelas forças da ONU no Líbano. 

AP
Soldados israelenses patrulham vila de Ghajar, entre o norte de Israel e o Líbano (10/11/2010)
Os 15 integrantes do gabinete de segurança do governo do primeiro-ministro Benyamin Netanyahu aprovaram a remoção de militares do norte da vila de Ghajar, mas não fixaram uma data para a retirada.

O vilarejo é dividido em dois pela Linha Azul da ONU, uma demarcação de fronteira entre o Líbano e Israel determinada pela ONU em junho de 2000, para monitorar a retirada unilateral de Israel do Líbano.

Forças

O controle da parte norte de Ghajar será entregue à Força Interina da ONU no Líbano (Unifil), cuja missão é supervisionar a paz na região de fronteira. O governo brasileiro pretende contribuir com a Unifil e enviará nove militares para a região, que provavelmente atuarão na área marítima. Segundo o Itamaraty, o capitão de mar e guerra Gilberto Kerr ocupará o posto de chefe de operações marítimas da Unifil. O plano acordado entre o chanceler Celso Amorim e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, foi encaminhado ao Congresso para aprovação.

Maiores detalhes da nova fase da missão no Líbano ainda serão acertados com as tropas de paz da ONU em dezembro, de acordo com o gabinete do primeiro-ministro israelense. Em comunicado, o gabinete disse ter encarregado o Ministério das Relações Exteriores de concluir as negociações com a ONU para "avançar o expediente o mais rápido possível, preservando a segurança dos cidadãos de Israel e o cotidiano dos habitantes do povoado".

Com a retirada dos seus soldados, Israel estará cumprindo sua parte no acordo com a ONU, mas a cidade vai permanecer dividida.

Cerca de 2 mil pessoas vivem em Ghajar, um vilarejo que já foi parte da Síria. As famílias estão espalhadas dos dois lados da Linha Azul e a escola e prédios municipais estão do lado israelense.

Ocupação

Israel capturou Ghajar da Síria durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Mais tarde, uma demarcação feita pela ONU do território libanês incluiu o norte de Ghajar, deixando a parte sul sob o controle israelense. Mesmo após o fim da ocupação militar de Israel no sul do Líbano, em 2000, os soldados israelenses permaneceram no vilarejo, alegando razões de segurança.

Atualmente, a maioria dos moradores de Ghajar se considera síria, apesar de muitos terem obtido a cidadania israelense durante a ocupação. A maioria é contra o controle libanês da área. O controle da parte norte de Ghajar será entregue à Força Interina da ONU no Líbano (Unifil), cuja missão é supervisionar a paz na região de fronteira.

Fontes do setor de segurança israelense afirmaram à BBC que o acordo final deve prever que os soldados da ONU fiquem estacionados na ponta norte do vilarejo, enquanto que os soldados israelenses deverão ficar no sul. Os moradores poderão circular livremente entre as duas áreas.

Os detalhes do plano serão determinados pelo Ministério do Exterior de Israel e o comandante da Unifil, o general Alberto Asarta, nas próximas semanas. O gabinete de segurança do governo de Israel vai então aprovar o acordo final.

Israel e Líbano, por sua vez, ainda estão tecnicamente em guerra e a região na fronteira continua sendo palco de episódios de tensão. No começo de 2010, a apenas alguns quilômetros de Ghajar, soldados israelenses e libaneses foram mortos em um confronto.

Arte/iG
A região é motivo de tensão com o grupo islâmico libanês Hezbollah e a Síria
*Com Reuters, BBC e AFP

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