Israel vai interceptar navio a caminho de Gaza

Avigdor Lieberman, ministro das Relações Exteriores, afirma que "não existe chance" de o navio irlandês chegar à costa de Gaza

iG São Paulo |

AFP
Navio Rachel Corrie é visto atracado em porto irlandês em imagem de arquivo
Israel impedirá que outro navio levando ajuda humanitária e ativistas ultrapasse seu bloqueio e chegue à Faixa de Gaza, disse o ministro de Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, nesta sexta-feira.

"Interceptaremos o navio, e também qualquer outro navio que tentar prejudicar a soberania de Israel. Não existe chance de a Rachel Corrie chegar à costa de Gaza", afirmou Lieberman a uma emissora de televisão israelense.

Israel, que enfrenta um protesto internacional por sua operação naval na segunda-feira em que nove ativistas foram mortos em um navio que ia para Gaza, prometeu impedir que a embarcação Rachel Corrie chegue à costa de Gaza. Um dos passageiros do Rachel Corrie é a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz (1976) Mairead Corrigan Maguire.

Israel alega temer que a carga - que inclui cimento, cadeiras de roda, equipamentos médicos, giz de cera e cadernos - também seja usada para fins militares pelo grupo islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza. No porto da Cidade de Gaza, prepara-se uma festa para os passageiros do barco.

Barco a caminho de Gaza

O barco de bandeira irlandesa Rachel Corrie , que tentará furar o bloqueio de Israel e entregar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, está a cerca de 240 quilômetros da costa do território palestino e reduziu sua velocidade para evitar chegar à noite à zona de exclusão marítima determinada por Israel, informou uma porta-voz do movimento Free Gaza, que organiza a viagem.

Segundo Greta Berlin, a tripulação quer evitar que o encontro com militares israelenses em alto-mar ocorra à noite, como aconteceu com a frota atacada pelo Exército israelense na segunda-feira. "O mais provável é que o barco chegue (à zona de exclusão) na manhã de sábado", disse Berlin.

A rádio do Exército de Israel chegou a afirmar, na manhã desta sexta-feira, que o barco teria dado meia volta e retornado à Irlanda, mas a informação foi desmentida pelo Free Gaza. "Há informações circulando em alguns órgãos da imprensa de que o Rachel Corrie teria voltado por problemas em dois barcos de apoio. Não há nenhum barco seguindo viagem com o Rachel Corrie e nosso integrante citado nas reportagens nunca disse que o barco tinha voltado", esclareceu Greta Berlin.

O governo israelense, no entanto, já avisou que não vai permitir a chegada do barco e insiste que ele seja desviado para um porto israelense ou para o Egito, onde a carga poderia ser inspecionada antes de seguir para o território palestino por terra.

Ação militar

Na última segunda-feira, pelo menos nove pessoas morreram - oito turcos e um americano - em uma ação militar israelense de abordagem à frota de envio de ajuda para Gaza. Há informações de que o americano - que também tinha nacionalidade turca - morreu com vários tiros disparados de perto.

Centenas de ativistas foram presos e deportados de Israel desde então. O incidente provocou uma onda de críticas internacionais, e o Conselho de Segurança da ONU emitiu declaração pedindo que o caso seja investigado imediatamente, de forma "imparcial, crível e transparente".

O autor de romances policiais sueco Henning Mankell, um dos escritores mais famosos do país, estava entre os passageiros de um dos barcos da frota atacada. Ele viu, à distância, o assalto ao navio Mavi Marmara, que liderava a frota.

Em entrevista coletiva em Berlim, depois de ser deportado de Israel, o escritor defendeu que sejam adotas sanções contra o Estado de Israel, nos moldes das sanções adotadas contra a África do Sul durante o regime do apartheid. Segundo Mankell, Israel saiu "para cometer assassinato". "Eu não entendi porque eles usaram tanta força", disse, afirmando que os passageiros foram tratados com extrema agressividade.

Outros ativistas a bordo do Mavi Marmara - entre eles a cineasta brasileira Iara Lee - também relataram cenas de violência por parte dos soldados ( leia o relato da brasileira sobre o ataque ).

Na quinta-feira à noite, em entrevista à rede de TV americana CNN, o presidente Barack Obama disse que a morte dos ativistas foi "trágica" , mas afirmou que o incidente pode ter efeitos positivos sobre o processo de paz na região.

Bloqueio contestado

Desde a ação militar, o primeiro-minsitro israelense Binyamin Netanyahu vem sofrendo pressão para suspender o bloqueio terrestre e marítimo a Gaza, imposto em 2007 quando o Hamas assumiu o controle do território.

Segundo o canal 1 da TV israelense, Netanyahu teria dito na quinta-feira ao ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair que estaria disposto a flexibilizar o bloqueio marítimo a Gaza , caso fosse instaurada uma comissão internacional para inspecionar a carga dos navios. Blair é um dos representantes do Quarteto, grupo que negocia a paz no Oriente Médio formado por EUA, Rússia, União Europeia e ONU.

A embarcação de bandeira irlandesa aguardada no território foi batizada de Rachel Corrie em homenagem à ativista americana de mesmo nome morta em Gaza em 2003, quando tentava impedir que uma escavadeira demolisse uma casa palestina.

Os organizadores da missão instalaram câmeras de segurança e equipamentos de gravação para registrar todas as ações a bordo, para garantir a segurança dos passageiros civis e precisão de informações no caso de um futuro inquérito sobre a missão.

* Com BBC Brasil, Reuters e AFP

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