Israel vai expandir assentamentos na Cisjordânia

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, disse que vai permitir a expansão de assentamentos judaicos já existentes no território palestino da Cisjordânia, de acordo com um ministro de seu gabinete. Apesar de Netanyahu ter dito que não será permitida a criação de novos assentamentos, a medida contraria a recomendação americana.

BBC Brasil |

Quando os líderes dos dois países se encontraram na semana passada, o presidente dos EUA, Barack Obama, pediu para que Netanyahu aceitasse a criação de um Estado palestino e disse que Israel teria a obrigação, segundo acordo assinado em 2003, de interromper o aumento dos assentamentos na Cisjordânia.

Os assentamentos, que abrigam cerca de 280 mil israelenses, são considerados um dos maiores obstáculos para o avanço das negociações de paz.

Assentamentos ilegais

"Não tenho a intenção de construir novos assentamentos mas não faz sentido pedir para que não atendamos as necessidades geradas pelo crescimento natural de nossa população e interrompamos todas as construções", disse ele ao gabinete de ministros neste domingo.

"Não vou dizer para que as pessoas não tenham filhos ou forçar os jovens a viver longe de suas famílias."

Mas tanto Netanyahu como o ministro da Defesa, Ehud Barak, disseram que devem desmantelar 22 pequenos assentamentos considerados ilegais pelo governo israelense.

Barak diz pretender negociar o abandono destes assentamentos com os colonos judeus.

Estado palestino

Pela primeira vez desde que assumiu o governo, Netanyahu mencionou o termo Estado palestino.

Administrações anteriores do país haviam se comprometido a tentar negociar a criação de um Estado independente para os palestinos, mas Netanyahu, além de ter historicamente se posicionado contrário a isto, não emitiu ainda uma posição clara sobre o tema desde que assumiu o cargo de premiê.

"Obviamente devemos ter reservas quanto a um Estado palestino no acordo final... quando negociarmos o conteúdo, chegaremos a um consenso sobre a terminologia", disse ele a seus ministros neste domingo. "Se falamos de um Estado palestino, temos que primeiro verificar que tipo de soberania e direitos este Estado teria. Temos que nos certificar de que não estaremos ameaçados".

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