Israel utilizará acordo interpalestino para minar reconhecimento de Estado

Premiê israelense, Benjamin Netanyahu, decidiu lançar campanha para que nenhum governo palestino seja reconhecido com membros do Hamas

iG São Paulo |

Israel utilizará o acordo de reconciliação entre o Fatah, da Autoridade Nacional Palestina, e o movimento islamita Hamas, que governa Gaza e não reconhece o Estado israelense, para minar a campanha em favor do reconhecimento do Estado palestino pelas Nações Unidas em setembro.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, decidiu lançar uma campanha para que nenhum governo unitário palestino seja reconhecido caso inclua membros do Hamas, indicou nesta sexta-feira o porta-voz do Ministério israelense das Relações Exteriores, Ygal Palmor.

AP
Foto de março de 2007 mostra o líder do Fatah, Mahmoud Abbas (E), e do Hamas, Ismail Haniyeh, antes de romper o governo de coalizão
Netanyahu viaja nos próximos dias para Londres e Paris com o objetivo de convencer seus interlocutores europeus a não votarem na ONU em favor do reconhecimento de um Estado palestino sem o consentimento prévio de Israel.

"Somos contrários a qualquer proclamação unilateral de um Estado palestino, mas se o Hamas chegar ao poder, isso ficará ainda mais perigoso", declarou Ygal Palmor. "Enquanto não aceitar as condições do Quarteto para o Oriente Médio, esse movimento continua sendo para Israel e para os países ocidentais uma organização terrorista", insistiu Palmor.

Em janeiro de 2006, os integrantes do Quarteto - Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU - estabeleceram as seguintes condições para um acordo: reconhecimento dos acordos firmados por Israel e pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), assim como o reconhecimento do direito de existir de Israel. O acordo de reconciliação interpalestino, no entanto, não menciona esses princípios.

União Europeia

Nesta sexta-feira, o ministro israelense das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, pediu à chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, que exija do Hamas "a aplicação total de todas as condições fixadas pelo Quarteto", anunciou seu gabinete.

Um diplomata europeu, Pierre Vimont, importante assessor de Ashton, disse que a União Europeia apoiará o acordo de reconciliação se cumprir as exigências do Quarteto. "Só poderemos apoiá-lo se levar em consideração o que, para nós, constitui o contexto necessário", ou seja, "o reconhecimento de Israel e dos elementos reiterados pelo Quarteto para o Oriente Médio" disse Vimont.

Fatah e Hamas chegaram a um acordo de reconciliação, no Cairo, na quarta-feira. O acordo prevê a formação de um governo palestino interino, assim como a fixação de uma data para as eleições palestinas. Os grupos, que antes formavam um governo de coalizão que controlava os território palestinos Gaza e a Cisjordânia, estavam rompidos há mais de quatro anos. Em 2007, o Hamas passou a controlar Gaza enquanto o Fatah governava a Cisjordânia.

*Com AFP

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