Israel usou fósforo branco em ataque em Gaza, diz ONU

Porta-vozes da Agência de Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNWRA, na sigla em inglês), da ONU, disseram nesta quinta-feira que fósforo branco foi aparentemente usado em um ataque atribuído a Israel contra um conjunto de instalações da agência na Faixa de Gaza.

Redação com agências internacionais |


O fósforo branco é uma substância incendiária cujo uso em armas é proibido por leis internacionais. Israel já negou veementemente a acusação de usar o composto para fins bélicos.

Um porta-voz, Chris Gunness, disse à BBC que as chamas provocadas pelo bombardeio são difíceis de apagar e ainda ameaçam as cerca de 700 pessoas que estão abrigadas no complexo da agência.

Nós não podemos usar extintores convencionais, porque acreditamos que há fósforo branco. Você só consegue apagar fósforo branco com areia e nós não temos areia em quantidade suficiente para fazer isso.

Setecentas pessoas estão lá. Não há nenhum lugar seguro para elas irem. Não podemos evacuá-los porque há confrontos do lado de fora, afirmou.

A bomba com fósforo branco é lançada por aviões e interage quimicamente com o oxigênio, se incendiando e liberando uma fumaça branca.

Imperdoável

Uma preocupação da UNWRA é que há veículos com combustível dentro do complexo, e eles poderiam explodir com os ataques.

Outro porta-voz da UNWRA, Johan Eriksson, disse que a agência da ONU entrou em contato com as forças de defesa de Israel e eles garantiram que não iriam disparar contra os prédios da agência enquanto um grupo de funcionário tentava colocar os veículos com combustíveis em um lugar mais seguro.

Quando nós estávamos começando a fazer isso, mais fósforo branco atingiu o complexo, e nós tivemos que abortar essa tentativa de mudar os tanques.

"Eles (israelenses) têm as coordenadas de GPS exatas de todos os nossos escritórios na Faixa de Gaza, eles estão disparando contra a parte mais frágil de nosso complexo e esta conduta é imperdoável", afirmou à BBC.

Em Tel Aviv, após se reunir com representantes do governo israelense, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se disse revoltado com o ataque contra o prédio da sede da UNWRA.

Ban disse que ouviu do ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, que o bombardeio foi um "erro grave".  Por outro lado, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse que o complexo foi atacado depois de militantes palestinos realizarem um ataque a partir do local.

" Não queremos que incidentes desse tipo aconteçam e lamento . Mas o Hamas atirou a partir de uma dependência da UNRWA", declarou Olmert, durante um encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em viagem pela região, como parte das discussões para um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

O ataque ao prédio da ONU destruiu a ajuda humanitária que tinha entrado na Faixa de Gaza nos últimos dias, após os depósitos das Nações Unidas onde o auxílio estava armazenado serem atingidos pelos bombardeios israelenses.

"A comida que entrou em Gaza nos últimos dias está pegando fogo", disse, em Gaza, o porta-voz da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA), Adnan Abu Hasna, em declarações ao "Canal 10" da televisão de Israel.

20º dia de ataques

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