O governo israelense está sendo pressionado por setores da população a aceitar soltar prisioneiros palestinos para conseguir a libertação de um soldado capturado na Faixa de Gaza há três anos. Nesta quinta-feira, data exata dos três anos da captura de Gilad Shalit, uma campanha pela sua libertação realiza uma manifestação em frente ao ministério da Defesa em Tel Aviv.

Vários artistas e cantores aderiram à campanha e compuseram canções especiais para a ocasião, que podem ser ouvidas no site do jornal Maariv.

A campanha foi divulgada com anúncios em jornais e na internet com uma montagem da palavra "socorro" feita com as letras tiradas de uma carta de Shalit aos seus pais.

O pai do soldados, Noam Shalit, declarou que o "povo israelense está cansado desta situação e quer que Gilad volte para casa".

"A maioria do público israelense está disposta a fazer tudo pela libertação de Gilad. Os resultados da pesquisa são compatíveis com o que ouvimos nas ruas, nos encontros com pessoas e nas cartas que recebemos", afirmou Noam Shalit.

A pressão sobre o governo foi reforçada com os resultados de uma pesquisa de opinião divulgada pelo maior site de noticias do país, o Ynet, que disse que 69% dos cidadãos judeus israelenses apoiam a libertação de prisioneiros palestinos, inclusive prisioneiros que estiveram envolvidos na morte de israelenses, em troca do soldado.

Negociações
O soldado Gilad Shalit, que hoje tem 23 anos, foi capturado no dia 25 de junho de 2006, quando participava de uma patrulha perto da fronteira de Israel com a Faixa de Gaza.

Três organizações palestinas assumiram a responsabilidade pela captura de Shalit â¿ o Hamas, o Comitê de Resistência Popular e o Exército do Islã â¿ porém, poucos meses depois, o braço armado do Hamas assumiu as negociações relacionadas à libertação do soldado.

Durante os três anos de negociações intermediadas pelo Egito, o Hamas não concordou em alterar as suas exigências, que incluem a libertação de cerca de mil prisioneiros palestinos em troca de Shalit.

Entre esses mil prisioneiros estão 450 descritos por Israel como "prisioneiros com as mãos manchadas de sangue", como, por exemplo, responsáveis por atentados suicidas que mataram centenas de civis israelenses.

De acordo com o analista do jornal Haaretz, Avi Issaharof, "parece que a organização (o Hamas) teme ser duramente criticada se fizer concessões, justamente por causa do preço que os palestinos já pagaram pela captura".

Incursão
O governo israelense respondeu à captura de Shalit com incursões na Faixa de Gaza que resultaram na morte de mais de 2,5 mil palestinos.

Pelo menos 10 mil palestinos ficaram feridos, milhares perderam as suas casas, e Israel endureceu o bloqueio à Faixa de Gaza, levando a região a uma profunda crise econômica e social.

O governo israelense anunciou que não vai suspender o bloqueio enquanto Gilad Shalit não for libertado e que não permite a entrada de cimento e ferro na Faixa de Gaza , impedindo a reconstrução da região, que foi gravemente danificada pela última ofensiva israelense, em janeiro deste ano.

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu declarou que "tem a obrigação de trazer Gilad são e salvo de volta para casa".

Netanyahu também disse que instruiu "todos os braços do poder em Israel a fazerem um esforço integrado para libertar Gilad".

Porém, Noam Shalit afirmou que "não tem confiança no sistema".

O pai do soldado também disse que se sentiu "humilhado e enganado" pelo ex-premiê Ehud Olmert e que agora "só confia nas ações da família".

"No dia em que as palavras (dos governantes) forem traduzidas em atos, poderei voltar a falar em confiança no sistema", afirmou Noam Shalit.

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