Israel toma medidas tardias contra violência dos colonos

As autoridades israelenses se prepararam nesta sexta-feira para enfrentar uma possível escalada de violência dos colonos contra os palestinos em represália por terem sido despejados de um edifício disputado em Hebron, na Cisjordânia.

Redação com agências internacionais |

Por isso enviaram reforços à localidade situada no sul da Cisjordânia ocupada, onde as forças de segurança foram incapazes na véspera de impedir os atos de violência contra a população palestina.

A polícia e o Exército também reforçaram o dispositivo no norte da Cisjordânia, enquanto o acesso a Esplanada das Mequitas em Jerusalém foi limitado pelo temor de manifestações palestinas em reação à violência dos colonos.

Os serviços de emergência israelenses se encontram em estado de alerta para o caso de ocorrência de algum atentado.

Esta evacuação em Hebron foi realizada rapidamente, sem derramamento de sangue, mas, pouco depois, grupos de jovens colonos enfurecidos atacaram palestinos e suas propriedades, destruindo plantações e incendiando casas. Três palestinos foram feridos por tiros.


Policiais israelenses removem colonos que ocupavam o edifício disputado / AP

A desocupação do edifício, reivindicado pelos palestinos, obedece a uma ordem do Supremo Tribunal que provocou a mobilização de centenas de ultranacionalistas israelenses.

A propriedade do prédio, de quatro andares, é alvo de uma disputa entre um empresário judeu americano, Morris Abraham, que dispõe de uma opção de compra, e um palestino, que nega a venda.

Violência

Os colonos intensificaram os atos de violência contra os palestinos e enfrentaram a polícia de Israel. Pelo menos 20 palestinos e 18 israelenses foram feridos por pedradas desde segunda-feira.

"Nos últimos dias ficou claro que os colonos mais extremistas não têm limites", diz uma alta fonte militar citada nesta sexta-feira pelo jornal israelense "Yedioth Ahronoth".

"O fim de semana não transcorrerá em calma", assegura a fonte, que não descarta ataques também contra as forças de segurança.

Na quarta, o Exército isralense, acusado de passividade frente aos atos de violência de colonos e ultranacionalistas que se opõem à ordem judicial, decretou que esse setor era "zona militar fechada".


Casa palestina é alvo de pichações de judeus após evacuação do edifício / AP

O chefe do governo de transição israelense, Ehud Olmert, e o presidente Shimon Peres condenaram a violência dos colonos israelenses e defenderam a decisão judicial.

Na madrugada de terça-feira, grupos de jovens colonos, apoiados por simpatizantes ultranacionalistas procedentes de Israel, jogaram pedras durante horas contra casas palestinas e contra veículos da polícia e dos guardas de fronteiras.

Supostos colonos extremistas também queimaram automóveis, furaram pneus e quebraram vidros das janelas das casas próximas. Picharam mesquitas com xingamentos como "Maomé é um porco", profanaram túmulos muçulmanos, e atacaram civis palestinos, em um caso com arma de fogo.

O Exército tenta assim acalmar os temores da população palestina frente à multiplicação de provocações de extremistas israelenses e o laxismo das autoridades.

Imagem degradada

Estes excessos também degradaram a imagem dos colonos mais radicais ante a opinião pública israelense. Quase toda a imprensa israelense, exceto os jornais religiosos, denunciou os excessos dos ultranacionaistas judeus.

O jornal Maariv chegou a classificar os colonos radicais de "terroristas judeus". "Trata-se de uma juventude revoltada que sabe que a maioria dos israelenses aceita que será necessário abandonar os territórios na Judéia Samaria (Cisjordania) e decidiu impedir isso a todo custo", afirma a publicação.

A Autoridade Palestina, por sua parte, exigiu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para garantir a proteção da população palestina.

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