Manifestantes egípcios atacaram embaixada israelense no sábado após mortes de oficiais na fronteira. Palestinos anunciam trégua

As facções palestinas de Gaza anunciaram neste domingo um acordo "informal" de trégua, enquanto os dirigentes israelenses se esforçavam para evitar uma crise diplomática com o Egito. Na quinta-feira, uma série de ataques deixou oito israelenses mortos na região de Eilat , perto da fronteira com o Egito, e levou a Força Aérea de Israel a bombardear o sul da Faixa de Gaza, deixando ao menos cinco policiais egípcios mortos .

O presidente Shimon Peres disse que "lamenta" a morte desses policiais egípcios e classificou de "estratégico" o tratado de paz firmado por ambos os países em 1979. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Yihal Palmor, se mostrou otimista em relação ao fim da crise "pelo interesse de ambas as partes".

Esta é a primeira crise diplomática entre os dois países vizinhos após a queda em fevereiro do regime de Hosni Mubarak , considerado um pilar do plano de paz assinado em 1979, o primeiro entre um país árabe e Israel.

Adotando um tom menos diplomático, o vice-primeiro-ministro Sylvan Shalom, considerado um falcão, lamentou o ataque à embaixada israelense no Cairo, que ocorreu no sábado à noite. "Não gostei do fato de manifestantes terem subido no telhado e que as bandeiras israelenses tenham sido queimadas", disse, referindo-se à manifestação de cerca de mil egípcios. Um dos manifestantes retirou a bandeira que tremulava no alto do prédio e içou em seu lugar a do Egito.

O governo egípcio considerou insuficiente o pedido de desculpas feito por Israel depois da morte dos cinco policiais. O chefe da diplomacia egípcia, Mohamed Amro, se disse neste domingo "indignado" com o comunicado emitido na véspera pelo Quarteto para o Oriente Médio que "ignorou a morte de policiais egípcios" e fez referência à situação no Sinai, "um assunto interno" egípcio.

Em um comunicado emitido no sábado pelo Quarteto para o Oriente Médio, formado por Estados Unidos, Rússia, União Europeia e ONU, o grupo advertiu para o "risco de uma escalada" da violência após vários dias de enfrentamentos entre Israel e os palestinos de Gaza e pediu "moderação" para ambos os lados.

Neste mesmo comunicado, o Quarteto pediu que "o governo egípcio encontre uma solução definitiva para a questão da segurança no Sinai".

Trégua

Em meio à crise diplomática, as principais facções palestinas da Faixa de Gaza chegaram a "um acordo informal para a instauração de uma trégua a partir desta noite com a condição de que Israel interrompa seus ataques", de acordo com declarações dadas neste domingo por um alto funcionário do Hamas à AFP .

Segundo esta fonte, a trégua será anunciada oficialmente na segunda-feira. Mas a polícia (do Hamas) "recebeu neste domingo à noite a instrução de parar os disparos" em direção a Israel, ressaltou.

Este anúncio é feito ao término de intensos contatos, realizados com a intermediação do Egito com o objetivo de apaziguar a situação.

Durante estes contatos, o general da reserva Amir Eshel, ex-chefe do Departamento de Planejamento do Exército israelense, viajou ao Cairo com outras autoridades israelenses, informou à imprensa de Israel.

O alto funcionário do Hamas indicou que seu movimento exigiu à Jihad Islâmica que interrompa os ataques depois que esta organização radical reivindicou novos disparos de foguetes em direção à cidade israelense de Ashkelon na noite deste domingo.

Cerca de trinta foguetes e obuses de morteiro foram disparados neste domingo em direção a Israel, de acordo com o Exército israelense, que, por sua vez, efetuou pelo menos quatro ataques neste domingo a Gaza, com um registro de sete feridos, segundo os serviços sociais locais.

* Com a AFP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.