Israel tenta impedir chegada de navio líbio a Gaza

Tripulação rejeita ultimato para desviar rota para o Egito; navio pretende chegar quarta-feira ao território palestino

iG São Paulo |

A tripulação do cargueiro Amalthea, fretado por uma ONG líbia para desafiar o bloqueio à Faixa de Gaza e entregar alimentos e remédios ao território palestino, afirmou nesta terça-feira ter recebido um ultimato de Israel para que desvie seu curso.

"As autoridades israelenses deram um prazo até a noite para mudar a direção e nos dirigirmos ao porto (egípcio) de Al-Arich. Se não, ameaçam interceptar a embarcação por meio de comandos da Marinha", declarou um representante da Fundação líbia a bordo, Machallah Zwei, ouvido por celular.

No entanto, um porta-voz militar israelense em Jerusalém negou a existência de um ultimato, acrescentando que Israel havia apenas "dirigido (ao navio) um esclarecimento sobre o que já sabia: que não poderia se dirigir a Gaza".

À noite a Fundação Kadhafi desmentiu que o cargueiro que fretou para a Faixa de Gaza seja aguardado no Egito, como afirmou previamente uma autoridade egípcia e a rede de TV CNN citando uma fonte israelense. Segundo a fundação, o navio segue em em direção ao porto do território palestino. "O cargueiro não se dirige para o porto (egípcio) de Al-Arich. Ele mantém o curso para Gaza", declarou à AFP Youssef Sawan, diretor-executivo da Fundação.

"A Marinha israelense começou os preparativos para parar a embarcação se tentar violar o bloqueio marítimo", confirmou por sua vez um outro porta-voz do Exército, confirmando que um contato radiofônico havia sido estabelecido com o cargueiro líbio.

A aproximação do navio líbio ocorre seis semanas depois de Israel ter impedido uma tentativa semelhante de uma flotilha humanitária internacional de chegar à Faixa de Gaza. A ação deixou nove cidadãos turcos mortos . Na segunda-feira, uma comissão militar declarou que houve erros no planejamento da abordagem à frota, mas que as mortes foram justificadas.

No início da tarde, o Amalthea, que partiu na noite de sábado da Grécia, estava a 130 milhas marítimas (cerca de 240 km) da Faixa de Gaza. Segundo a Fundação Kadhafi, o Amalthea está "carregado com 2 mil toneladas de ajuda humanitária". Além dos 12 tripulantes de diversas nacionalidades, nove pessoas (seis líbios, um nigeriano, um marroquino e um argelino) estão a bordo, segundo o agente marítimo do cargueiro.

Nos últimos dias, Israel empreendeu intensos esforços diplomáticos para que o cargueiro líbio desviasse sua rota para o Egito, mas advertiu que não hesitaria em interceptá-lo se mantivesse o caminho para Gaza. O Estado hebreu, que denunciou "uma provocação supérflua", espera prevenir uma repetição da ação de 31 de maio contra a frota humanitária, que atraiu protestos no mundo inteiro.

Comboio da Jordânia

Além do Amalthea, um comboio de ajuda humanitária, organizado pelo Conselho de Sindicatos da Jordânia, partiu nesta terça-feira de Amã em direção à Faixa de Gaza e tentará entrar no território por terra através da passagem egípcia de Rafah.

"Essa ajuda representa uma expressão simbólica sobre a determinação do povo da Jordânia de apoiar a população sitiada de Gaza", disse o presidente do conselho de sindicatos da Jordânia, Ahmed Armouti, durante a despedida da caravana.

O comboio é formado por 25 veículos, nos quais viajam 150 ativistas que representam sindicatos e partidos políticos da oposição jordaniana. A caravana, segundo Armouti, leva "uma mensagem clara de toda a população jordaniana" de rejeição ao bloqueio israelense à Faixa. "Não nos renderemos e vamos apoiar ao povo palestino até o final", acrescentou.

Após deixar a capital jordaniana, o comboio cruzará o Mar Vermelho até a cidade egípcia de Nuweiba, situada na parte oriental da Península do Sinai e continuará sua viagem por terra até a passagem na fronteira de Rafah.

A caravana transporta remédios, equipamentos médicos, alimentos básicos e materiais de construção para a população do enclave, que permanece sob bloqueio israelense desde que o grupo radical Hamas tomou pela força o controle da região em junho de 2007.

O presidente da associação de engenheiros jordanianos, Wael Saqa, disse que o comboio de ajuda humanitária tenta atrair a atenção sobre o bloqueio, após o ataque israelense de 31 de maio. Saqa assegurou que as autoridades egípcias ainda não responderam a uma carta enviada pela associação na qual pediam permissão para chegar a Gaza e insistiu que a viagem será realizada independentemente da posição do Cairo.

*Com BBC, EFE e AFP

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