Israel suspende bombardeios em Gaza por três horas diárias

O Exército de Israel anunciou que a partir desta quarta-feira vai interromper os bombardeios em Gaza durante três horas todos os dias.

AFP |

"Decidimos cessar os bombardeios em Gaza entre as 11H00 GMT (9H00 de Brasília) e as 14H00 GMT (12H00 de Brasília) todos os dias a partir de hoje, quarta-feira", declarou à AFP a porta-voz militar Avital Leibovich.

A decisão foi adotada depois que Israel aceitou abrir um corredor humanitário na Faixa de Gaza, submetida a bombardeios que na terça-feira deixaram pelo menos 40 mortos em uma escola administrada pela ONU.

O gabinete do primeiro-ministro Ehud Olmert anunciou nesta quarta-feira que Israel abrirá um corredor humanitário "para prevenir uma crise humanitária na Faixa de Gaza". A decisão foi comunicada à secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.

As agências da ONU e as organizações humanitárias têm denunciado uma crise humanitária "total" em Gaza, um território pobre e superpovoado onde os habitantes se encontram bloqueados, sem a possibilidade de fugir dos combates.

Os hospitais estão lotados. A ajuda de emergência não chega às áreas afetadas pelos bombardeios.

A ofensiva provoca escassez de mantimentos, de combustível e de água potável, assim como danos na infra-estrutura.

Os ataques israelenses mataram pelo menos 680 palestinos e deixaram 3.000 feridos desde 27 de dezembro, quando teve início a operação, segundo os serviços de emergência palestinos.

Na terça-feira, três escolas administradas pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA) foram bombardeadas.

No ataque mais violento, em Jabaliya (norte), 43 palestinos morreram, segundo os serviços de emergência. Em um comunicado, a ONU divulgou um balanço de 30 mortos e 55 feridos.

Israel afirmou que sua artilharia abriu fogo contra a escola porque, segundo o Estado hebreu, combatentes palestinos haviam se posicionado no local para disparar morteiros contra suas tropas, que executam uma ofensiva sem precedentes contra o movimento radical islamita Hamas.

A ONU desmentiu nesta quarta-feira a presença de combatentes palestinos em uma escola administrada pela UNRWA na Faixa de Gaza.

"Depois de uma investigação preliminar, temos 99,9% de certeza que não existiam ativistas nem atividades militares na escola", declarou à AFP Chris Gunness, porta-voz da agência das Nações Unidas.

"Pedimos uma investigação independente. Se as leis da guerra foram violadas, os culpados terão que comparecer à justiça", acrescentou.

bur-pa/fp

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