Israel relembra assassinato de Rabin temendo novos crimes

Ana Cárdenes. Jerusalém, 3 nov (EFE).- Israel relembra amanhã o assassinato de seu primeiro-ministro Yitzhak Rabin há 13 anos, com o temor de que a extrema-direita cometa novos homicídios de autoridades para frear o processo de paz com os palestinos.

EFE |

Nos últimos meses, o aumento da violência de colonos contra soldados e policiais israelenses e a radicalização de seu discurso contra o Estado judeu, ressuscitou o fantasma de que eles usem suas armas para evitar a evacuação dos assentamentos e fazer com que Israel pague um preço em troca da paz.

A três meses das eleições gerais antecipadas e às vésperas do aniversário da morte de Rabin, o Shin Bet (serviço secreto israelense) preveniu do risco que os radicais recorram à violência para fazer descarrilar de novo um processo negociador que demorou anos para ser retomado.

O diretor do Shin Bet, Yuval Diskin, advertiu durante o fim de semana ao Gabinete de Ministros que os extremistas "estão muito dispostos a utilizar a violência - não só pedras, mas armas de fogo - para impedir ou frear um processo diplomático" com os palestinos.

Como primeira medida, o Governo anunciou a cessação imediata de todo apoio "direto ou indireto" aos assentamentos na Cisjordânia que Israel considera ilegais, uma medida duramente criticada pelas organizações da extrema-direita.

As frentes abertas pelo Governo para conseguir a paz com a Síria e com os palestinos, em negociações que põem sobre a mesa a devolução de territórios ocupados (Cisjordânia, Gaza, Jerusalém Oriental e as Colinas do Golã), são um dos pontos de maior atrito com os colonos, que consideram que essa terra pertence ao povo judeu.

A fórmula de "paz por territórios" foi precisamente a aposta de Rabin, cuja ferrenha defesa da paz em seu segundo mandato como chefe do Governo fez com que fosse assassinado em 4 de novembro de 1995 pelo extremista religioso Yigal Amir.

O ministro da Infra-estrutura, Benjamin Ben-Eliezer, lembrou que a linha de pensamento dos colonos extremistas é "messiânica, mística, satânica e irracional"; a mesma que levou Amir a apertar o gatilho contra o primeiro-ministro após um comício pela paz em Tel Aviv.

Os responsáveis das distintas instituições culpam uns a outros pela impunidade aos atos de violência. Nos últimos dias extremistas feriram vários soldados com pedras e hoje queimaram bandeiras palestinas na conflituosa cidade cisjordaniana de Hebron.

A Polícia culpa os tribunais de lhe impedir de prender os suspeitos, enquanto a Promotoria acusa o Parlamento de atrasar a aprovação de leis que facilitariam a imposição de penas maiores aos extremistas e o Exército de não usar as ordens administrativas para dificultar sua ação.

Para Diskin, a violência dos grupos direitistas "subiu a um nível superior", e estes estão adotando uma política que consiste em se vingar de cada evacuação forçosa que o Exército imponha às áreas onde os colonos avançam em sua ocupação do território palestino.

O analista militar Amos Harel afirmou hoje no jornal "Ha'aretz" que "a extrema direita estabeleceu um balanço do terror no qual qualquer ação do Estado dirigida contra eles (...) gera uma reação violenta imediata".

"A distância entre" agredir "soldados e policiais e um assassinato político é mais curta do que parece", afirmou. EFE aca/ab/jp

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