Israel rejeita trégua e combates chegam a Gaza

Os combates entre soldados israelenses e militantes palestinos chegaram nesta segunda-feira à cidade de Gaza, enquanto Israel rejeitava os constantes apelos da comunidade internacional para deter sua ofensiva, que já causou a morte de pelo menos 555 palestinos e de três militares hebreus.

AFP |

De acordo com testemunhas, dezenas de combatentes do Hamas, mas também da Jihad Islâmica, enfrentaram o Exército israelense no bairro de Chujaiya, no leste da Cidade de Gaza, pela primeira vez desde o início da ofensiva terrestre lançada na noite de sábado.

Muitas explosões foram ouvidas no setor, sobrevoado constantemente por helicópteros. O Hamas afirmou ter disparado foguetes antitanque contra pelo menos sete blindados israelenses.

Uma fonte militar israelense confirmou os combates na Cidade de Gaza, praticamente cercada pelos tanques.

Outros confrontos foram registrados no setor de Zeitun, assim como nos arredores das cidades de Jabaliya e Beit Lahya, no norte da Faixa de Gaza.

Segundo as redes de televisão Al-Jazira, do Qatar, e Al Arabiya, do Dubai, pelo menos três soldados israelenses morreram hoje na Faixa de Gaza.

Al-Jazira, que cita "fontes próprias", afirma que três militares israelenses morreram e outros 30 ficaram feridos nos combates desta segunda-feira. Já Al-Arabiya revela que "quatro soldados faleceram nos combates desta noite".

Previamente, o braço armado do movimento islâmico palestino Hamas, as Brigadas Ezzedin al-Qassam, informou ter liqüidado "dez soldados" israelenses e ferido outros 30 na noite de hoje.

Apenas nesta segunda-feira, 50 palestinos, entre eles 12 crianças, morreram nos bombardeios israelenses, segundo o chefe dos serviços de emergência de Gaza, Muawiya Hassanein.

Segundo ele, pelo menos 555 palestinos foram mortos e 2.700 feridos desde o início da operação militar israelense.

Depois da entrada dos tanques na Faixa de Gaza, o Exército israelense reforçou posições às portas de várias cidades do exíguo e superpovoado território palestino de 362 km², que está agora dividido em dois.

A situação humanitária continua piorando na Faixa de Gaza, onde se amontoam 1,5 milhão de pessoas. A maioria dos habitantes sofre com a escassez de água e comida e com os cortes de eletricidade.

O Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Antonio Gutierres, pediu a abertura das fronteiras para permitir a fuga dos moradores.

"A situação está muito difícil. Tememos pela vida de nossos filhos. Todos nossos vizinhos já deixaram suas casas", declarou Abu Jamal Khalifa, morador do bairro Al-Zeitun.

Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR), a "situação é extremamente perigosa e a coordenação do envio de ambulâncias está muito complexa devido aos ataques e as operações militares sem interrupção. Alguns feridos estão morrendo enquanto esperam a chegada do socorro do Crescente Vermelho".

Apesar da ofensiva, os ativistas palestinos continuaram disparando foguetes contra Israel. Desde a noite de domingo, 32 foguetes caíram sobre o sul do Estado hebreu, deixando quatro feridos leves.

Quatro israelenses morreram em conseqüência destes disparos desde o início da ofensiva.

Apesar das mortes e da destruição, Mahmud al-Zahar, o mais influente líder do Hamas em Gaza, garantiu que "a vitória está chegando, graças a Deus".

Pouco depois, Abu Obeida, porta-voz das Brigadas Ezzedin al-Qassam, o braço militar do Hamas, afirmou que "milhares" de combatentes estão prontos para enfrentar o Exército israelense nas ruas de Gaza. O Hamas enviou uma delegação ao Cairo para discutir sobre os meios de acabar com a guerra.

Paralelamente, os esforços diplomáticos continuam, com a presença na região do presidente da França, Nicolas Sarkozy, de uma missão européia e de um emissário do presidente russo Dmitri Medvedev.

Porém, a ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni, jogou um balde de água fria nos partidários do fim iminente das hostilidades, ao afirmar que Israel está determinado a cumprir as metas de sua campanha na Faixa de Gaza. O objetivo declarado é acabar com os disparos de foguetes contra o sul de Israel.

"Combatemos o terrorismo, e não concluiremos um acordo com terroristas", avisou, referindo-se ao Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde junho de 2007. Na véspera, o primeiro-ministro, Ehud Olmert, também se recusara a pôr um fim à ofensiva.

Sarkozy se disse hoje "profundamente preocupado" com a situação na Faixa de Gaza, fazendo novamente um apelo a "um cessar-fogo humanitário de alguns dias", antes de uma reunião em Jerusalém com seu colega israelense, Shimon Peres.

"Sou um amigo, mas quero ser sincero: estou profundamente preocupado com a situação", afirmou Sarkozy à imprensa, ao lado de Peres.

"Precisamos de uma trégua humanitária de alguns dias, do interesse de todo mundo. Israel é forte, Israel tem que se arriscar pela paz", insistiu, afirmando que sempre considerou a segurança do Estado hebreu "uma prioridade".

Mais cedo, Sarkozy acusou o Hamas de ter agido de forma "irresponsável e imperdoável" ao decidir não renovar a trégua com Israel, que expirara em 19 de dezembro, e retomar os tiros de foguetes contra o Estado hebreu.

O Hamas respondeu acusando o presidente francês de "parcialidade total" em favor de Israel.

Abbas, esperado terça-feira em Nova York, na sede da ONU, pediu o fim "imediato e sem condições" da ofensiva israelense.

Em Washington, o presidente George W. Bush disse "entender" o desejo de Israel de se defender, e reiterou que qualquer cessar-fogo tem de incluir garantias de que o Hamas não atirará mais foguetes.

O futuro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, admitiu hoje que está preocupado com os ataques israelenses a Gaza, mas destacou que não intervirá nas "delicadas negociações" sobre a questão realizadas pelo atual governo americano.

"Insisto em que na área das relações exteriores é particularmente importante respeitar o princípio de que há apenas um presidente, porque neste momento ocorrem negociações delicadas e não podemos ter duas vozes provenientes dos Estados Unidos", disse Obama, em referência ao presidente George W. Bush.

Em Nova York, o chanceler palestino, Riyad al-Malki, anunciou que os países árabes vão apresentar um novo projeto de resolução ao Conselho de Segurança para chegar a um cessar-fogo duradouro em Gaza.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas fará nesta terça-feira uma reunião sobre a operação militar de Israel na Faixa de Gaza, com a presença de chanceleres de vários países árabes e da França, informaram fontes diplomáticas.

O Conselho deve realizar duas reuniões nesta terça-feira, uma pela manhã, a portas fechadas e para consultas, e depois um debate, por volta das 17H00 local (19H00 Brasília).

O debate deve ter a participação do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que se reunirá pela manhã com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

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