Israel rejeita trégua com Hamas na Faixa de Gaza

Israel rejeitou nesta quarta-feira as propostas de uma trégua com o Hamas na Faixa de Gaza defendida pela comunidade internacional, no quinto dia de uma ofensiva que já deixou mais de 390 mortos neste território controlado pelo movimento radical islâmico.

AFP |

Ao término de uma reunião de seis horas, o gabinete de segurança anunciou que rejeitava as propostas de trégua formuladas terça-feira pela União Européia (UE) e o Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, UE, Rússia e ONU), e afirmou sua determinação em "seguir adiante com a ofensiva lançada sábado contra o Hamas na Faixa de Gaza", segundo um alto representante israelense.

Citado por este responsável, o primeiro-ministro do governo de transição, Ehud Olmert, afirmou que "a operação em Gaza não foi lançada para ser encerrada com os mesmos disparos de foguetes que registrávamos no início da ofensiva".

"Israel mostrou moderação durante vários anos. Israel deu uma chance para a possibilidade de um cessar-fogo. Porém, o Hamas não a aproveitou", prosseguiu o premier, ainda segundo o responsável.

Olmert não poupou críticas aos defensores da trégua. "Vocês se dão conta das conseqüências que isso teria para o país e para a região? As conseqüências sobre a força de dissuasão de Israel?", perguntou.

"Se houver condições, e se alguém chegar com uma solução que nos garanta uma maior segurança no sul, voltaremos a pesar os prós e os contra. Mas ainda não chegamos lá", concluiu o primeiro-ministro.

Pouco antes, Israel também rejeitara a idéia de um cessar-fogo provisório, sugerida pelo ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner.

O Hamas, por sua vez, criticou os termos sugeridos na perspectiva de uma trégua. O porta-voz do movimento, Fawzi Barhum, considerou que os mediadores internacionais colocavam "a vítima e o algoz em pé de igualdade".

"Qualquer intervenção árabe ou internacional deve ter como objetivo o fim da agressão, o levantamento do bloqueio e a abertura de todos os pontos de passagem", enumerou Barhum.

Reunidos em Paris na noite de terça-feira, os chanceleres da União Européia (UE) pediram um "cessar-fogo permanente" em Gaza para permitir uma "ação humanitária imediata" e a reabertura dos pontos de passagem da Faixa de Gaza para o Egito e Israel.

No mesmo instante, em Nova York, o Quarteto para o Oriente Médio pedia um cessar-fogo imediato que fosse "plenamente respeitado".

O Exército israelense lançou dezenas de ataques aéreos nesta quarta-feira depois de ter bombardeado durante a madrugada 35 alvos do Hamas, entre os quais edifícios oficiais, túneis utilizados para o contrabando e lançadores de foguetes.

Em um desses ataques, dois palestinos que estavam em uma carroça puxada por um burro morreram perto de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, segundo fontes médicas.

"Nossas forças terrestres ainda estão posicionadas em volta da Faixa de Gaza, e prontas para agir a qualquer momento", destacou à AFP o porta-voz militar Avital Leibovitz.

No total, 393 palestinos, em maioria membros do Hamas, foram mortos, e mais de 1.900 ficaram feridos desde sábado nos bombardeios israelenses, segundo os serviços de emergência em Gaza.

De acordo com a Agência das Nações Unidas para a ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA), pelo menos 25% das vítimas são civis.

Pelo menos 50 foguetes palestinos foram disparados nesta quarta-feira contra o sul de Israel, quatro deles em Beersheva, a capital de Neguev, a cerca de 40 km da Faixa de Gaza, o que constitui um recorde de alcance para esses foguetes. Os disparos provocaram feridos leves, principalmente em Ashkelon.

Estes tiros deixaram desde sábado quatro mortos em Israel, sendo três civis e um soldado, e dezenas de feridos.

O presidente palestino Mahmud Abbas, que não exerce nenhum controle sobre Gaza, de onde suas forças foram expulsas pelo Hamas em junho de 2007, fez um apelo ao Conselho de Segurança da ONU para que aprove uma resolução impondo um cessar-fogo, ressaltou seu porta-voz, Nabil Abbu Rudeina.

Abbas deve se reunir nesta quarta-feira na Jordânia com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que denunciou as operações "impiedosas" de Israel.

O presidente sírio, Bachar al-Assad, e Erdogan, mantiveram uma reunião nesta quarta-feira em Damasco sobre "a situação perigosa em Gaza".

As comemorações do Ano Novo foram canceladas em vários países árabes por solidariedade com os palestinos da Faixa de Gaza.

bur/yw/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG