Israel rejeita resolução de cessar-fogo da ONU e mantém ataques

Saud Abu Ramadan. Gaza, 9 jan (EFE).- Israel prosseguiu sua ofensiva em Gaza após rejeitar a chamada do Conselho de Segurança da ONU para um cessar-fogo na faixa, onde o número de mortos se aproximava a oitocentos e de duas semanas de guerra.

EFE |

Segundo Moaweya Hasanein, chefe dos serviços de emergência em Gaza, pelo menos 792 palestinos morreram e outros 3.300 ficaram feridos na ofensiva, que esta noite (pelo horário local) continuava após deixar 27 mortos ao longo do dia.

"Desde que começou a ofensiva, 50% das vítimas são civis, em sua maioria mulheres e crianças", afirmou Hasanien.

Entre as últimas vítimas figuram seis parentes de um integrante da Frente Democrática para Libertação da Palestina (FDLP) cuja casa na localidade de Bet Lahia, no norte de Gaza, foi bombardeada por aviões israelenses.

Outros três civis, também de uma mesma família, morreram em um ataque de artilharia no bairro Tufah da capital Gaza.

Entre essas vítimas há uma mulher ucraniana, identificada como Albera Vladimir, e seu filho de dois anos, enquanto seu marido, um médico palestino, ficou gravemente ferido.

Em Al-Zawaida, no centro de Gaza, um novo bombardeio aéreo matou outros três civis, e feriu a sete, segundo a emergência de Gaza.

Entre os cadáveres registrados hoje pelos está o de um antigo cinegrafista do falecido líder palestino Yasser Arafat e de dois de seus familiares.

A Força Aérea israelense atacou ainda a moradia do subchefe de Polícia em Gaza, Abu Obieda al-Jarah, embora se desconheça seu estado.

Abu Obieda substituiu, em 27 de dezembro, Tawfiq Jaber, morto nos primeiros bombardeios.

Segundo um documento do Escritório de Coordenação Humanitária da ONU (Ocha) divulgado esta manhã, o Exército israelense matou, no domingo, 30 civis que seus soldados haviam concentrado o dia anterior em uma casa na faixa.

"De acordo com vários testemunhos, em 4 de janeiro soldados de infantaria israelenses levaram 110 palestinos para um imóvel em Zeitoun (a metade deles crianças) e lhes advertiram que permanecessem lá dentro", afirma a Ocha em seu relatório semanal sobre Gaza.

"Vinte e quatro horas mais tarde, forças israelenses bombardearam repetidamente o imóvel, matando aproximadamente 30 pessoas", acrescenta, no texto.

Diversas horas após serem divulgadas essas informações, um porta-voz do israelense as classificou como "inverossímeis".

"A denúncia de que o edifício foi atacado é inverossímil, porque em 4 de janeiro, a data mencionada pela organização internacional, as forças ainda não tinham chegado a Zeitoun", disse à agência Efe um porta-voz oficial israelense, Yacov Dallal.

Dallal afirmou que o Exército de Israel não tem registrado nesse dia "nenhum disparo de artilharia nem aéreo na zona".

A decisão de prosseguir a ofensiva foi adotada pelo gabinete para Assuntos de Segurança Nacional do Governo israelense, formado pelo primeiro-ministro, Ehud Olmert, o ministro da Defesa, Ehud Barak, e a ministra de Relações Exteriores, Tzipi Livni.

"Israel tem o direito de defender a seus cidadãos e o Exército continuará atuando (em Gaza) até completar os objetivos da operação, ou seja, mudar a situação da segurança no sul de Israel", dizia um comunicado do escritório de Olmert que rejeitava implicitamente a chamada da ONU à trégua.

Apesar da negativa recusa de Israel a um cessar-fogo após o anúncio de que no mesmo sentido realizou ontem Hamas, ambas as partes parecem não ter fechado totalmente a possibilidade de uma mediação.

Depois de um conselheiro do Ministério de Defesa israelense, Amos Gilad, visitar ontem o Cairo para conhecer os detalhes do plano para a cessação das hostilidades que propuseram Egito e França, uma delegação do Hamas foi hoje à capital egípcia com o mesmo objetivo.

Fontes do Hamas especificaram que a delegação é integrada por Ayman Taha, Jamal Abu Hashim e Salah al-Bardawil, a quem se unirão no Cairo dois dirigentes do exílio, Mohammed Nasser e Imad al-Alami, que viajarão de Damasco para se reunir também com as autoridades egípcias. EFE sar-elb-amg/jp

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