Ancara condiciona a normalização dos laços entre os dois países ao pedido de desculpas e à indenização das famílias dos mortos

O primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, afirmou nesta sexta-feira que seu país não pedirá desculpas à Turquia pelo ataque à frota humanitária que levava ajuda à Faixa de Gaza , que está sob bloqueio de Israel desde 2007.

AP
Primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, fala com a imprensa no Canadá no dia do ataque à frota (31/05/2010)
O ataque, lançado por um comando israelense em 31 de maio, deixou nove turcos mortos. Ancara condicionava a retomada de relações com Israel a um pedido de desculpas e indenização às famílias dos mortos.

"Israel não pode se desculpar porque seus soldados foram atacados por um grupo que quase os matou. Dito isso, lamentamos as mortes", disse Netanyahu em entrevista a um canal de televisão israelense. Questionado sobre a possibilidade de indenizar as famílias das vítimas, Netanyahu se limitou a responder que a opção ainda não foi "discutida".

O ataque de Israel à frota aconteceu em águas internacionais e deteriorou ainda mais as relações entre o Estado judeu e seu principal aliado muçulmano, a Turquia, que já estavam tensas desde a ofensiva israelense a Gaza há um ano e meio, na qual morreram 1,4 mil palestinos.

Na quarta-feira, o ministro israelense de Indústria, Comércio e Trabalho, Binyamin Ben-Eliezer, e o chefe da diplomacia turca, Ahmet Davutoglu se reuniram em segredo em Bruxelas para tratar de restaurar os laços entre os dois países.

Um jornal turco informou nesta sexta-feira que Israel teria dito na reunião que se desculparia e compensaria as vítimas, informação desmentida pelo ministro israelense que participou dela. O titular israelense de Exteriores, Avigdor Lieberman, deixou claro que toda desculpa ou compensação danificaria a posição mundial do Estado judeu, em vez de melhorá-la.

Horas antes da entrevista, Netanyahu se reuniu com Lieberman para acabar com uma crise causada pelo fato de o chanceler israelense não ter sido informado da reunião ministerial secreta . Netanyahu, do partido direitista Likud, como Lieberman, do ultradireitista Yisrael Beiteinu, concordaram em trabalhar a partir de agora em perfeita coordenação.

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