Israel rejeita observadores na fronteira com Gaza

JERUSALÉM - Israel rejeitou na segunda-feira propostas europeias para permitir observadores internacionais na Faixa de Gaza depois de um cessar-fogo, pressionando, ao invés disso, por equipamentos e pessoal a fim de localizar e destruir túneis que possam ser usados pelo Hamas.

Redação com agências internacionais |


A ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza, que dura 10 dias, já matou ao menos 550 pessoas. Os líderes israelenses deixaram claro que não têm pressa em retirar as forças terrestres e aéreas da região, apesar da pressão internacional crescente.

O objetivo de Israel é enfraquecer o Hamas matando seus combatentes e destruindo os estoques de foguetes do grupo, afirmaram autoridades.

Israel rejeita qualquer cessar-fogo formal que ate suas mãos e confira ao grupo islâmico legitimidade, mas está preparado para acordos com parceiros regionais e internacionais, como o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, o Egito e a União Europeia, a fim de ajudar a supervisionar a segurança ao longo da fronteira com Gaza.

AP
Menino recolhe objetos de sua casa, destruída após ataque aéreo


Em uma entrevista coletiva com líderes da União Europeia, a ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni, uma das principais candidatas ao cargo de primeiro-ministro em Israel na eleição de 10 de fevereiro, disse não ver razão para uma força de observação e monitoramento em Gaza. "Não vejo como isso pode ajudar", disse ela a jornalistas.

Em vez de observadores monitorando qualquer cessar-fogo, Israel quer uma missão internacional na fronteira entre Egito e Gaza com o objetivo de evitar que o Hamas restabeleça a rede de túneis que poderia ser usada para contrabandear foguetes de longo alcance e outras armas, disseram autoridades israelenses envolvidas nas negociações.

Os oficiais afirmaram que são mantidas conversações com União Europeia, Estados Unidos, Egito e outros líderes regionais a respeito de uma força como essa, embora não se tenha chegado a nenhuma decisão final.

A fronteira de 14 quilômetros com o Egito é repleta de túneis que permitiram que os palestinos de Gaza obtivessem armas e bens comerciais, apesar do bloqueio liderado pelos israelenses.

Proposta árabe

Em Nova York, o ministro palestindo das Relações Exteriores, Riyad al-Malki, afirmou nesta segunda que os Estados árabes vão propor um novo projeto de resolução ao Conselho de Segurança da ONU para obter um cessar-fogo duradouro em Gaza.

"Vim a pedido de Mamud Abbas (presidente da Autoridade Palestina) para começar a preparar um novo projeto de resolução, que será apresentado ao Conselho de Segurança o quanto antes possível", declarou Al-Malki à imprensa.

O ministro indicou que espera que projeto possa ser adotado nesta terça, durante uma reunião do Conselho de Segurança em nível ministerial.

O texto pedirá não apenas o cessar imediato das hostilidade, como também tentará estabelecer as condições de um regressou duradouro à calma na Faixa de Gaza.

AP

Crianças aguardam atendimento em hospital de Gaza


Também nesta segunda-feira, em uma entrevista coletiva em Washington, o presidente norte-americano, George W. Bush, disse que qualquer esforço de trégua para encerrar a crise em Gaza deve incluir ações que previnam o lançamento de foguetes em Israel pelo Hamas na faixa costeira.

"Em vez de se importar com o povo de Gaza, o Hamas decidiu usar a região para lançar foguetes e matar israelenses inocentes", disse Bush a jornalistas após uma reunião na Casa Branca com uma autoridade do Sudão. "Obviamente, Israel decidiu se proteger Qualquer medida de trégua precisa ter condições para que o Hamas não use Gaza como um lugar para lançar foguetes", acrescentou.

ONU defende direito de fuga dos palestinos

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, António Guterres, pediu um " estrito respeito" aos princípios humanitários no conflito de Gaza, principalmente o que garante o direito de toda pessoa que foge de uma guerra de buscar segurança em outro país.

"Vim a pedido de Mamud Abbas (presidente da Autoridade Palestina) para começar a preparar um novo projeto de resolução, que será apresentado ao Conselho de Segurança o quanto antes possível", declarou Al-Malki à imprensa.

Gaza dividida

No 10º dia bombardeios, o Exército israelense dividiu Gaza em três ao iniciar uma nova fase em sua invasão terrestre que consiste na busca e destruição da "infra-estrutura terrorista" na Faixa de Gaza, informaram fontes militares.

As forças israelenses cortaram virtualmente a faixa em três, após tomar posições, o que impede o movimentar-se livremente dentro do território de seu milhão e meio de habitantes.

Após uma noite em que a aviação israelense bombardeou 30 alvos em Gaza, os militares hebreus continuam suas operações no terreno, onde ontem morreram meia centena de palestinos e um soldado israelense.

Entre civis mortos nesta segunda-feira estavam cinco crianças , informaram fontes médicas. Três meninos morreram em consequência do disparo de um obus a partir de um carro de combate no bairro de Zeitun, em Gaza, e os outros dois em bombardeios da Marinha israelense contra o campo de refugiados de Chati, também na cidade de Gaza, segundo o diretor das emergências palestinas, Muawiya Hasanein, que não revelou as idades das vítimas.

Cresce pressão por cessar-fogo em Gaza; veja o vídeo:

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