Israel rejeita debate nuclear do Oriente Médio

Governo israelense rejeita acordo de conferência do TNP que prevê inclusão de país ao tratado e sua participação em evento de 2012

iG São Paulo |

O governo de Israel rejeitou neste sábado participar de uma conferência cujo objetivo é alcançar uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio. O encontro, previsto para 2012, foi proposto em acordo alcançado na oitava edição da Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), que terminou na sexta-feira em Nova York.

As 189 nações signatárias do TNP assinaram o acordo - o primeiro em dez anos - prevendo a conferência em 2012 com todos os países do Oriente Médio - incluindo o Irã - para discutir "um Oriente Médio livre de armas nucleares e outras armas de destruição em massa". Pelo documento assinado, os países-membros possuidores de armas nucleares terão de reduzir seus arsenais. Esses países - EUA, França, Rússia, China e Grã-Bretanha - se comprometeram a adotar medidas para diminuir a importância de armamentos atômicos, relatando seu progresso em 2014.

Os países presentes na conferência também pediram que Israel assine o TNP. Acredita-se que Israel tenha um arsenal nuclear não-declarado. Segundo analistas, a inclusão da menção a Israel no documento, uma iniciativa dos países árabes, procura pressionar o país a abrir mão de seu possível arsenal.

"Esse acordo tem o selo da hipocrisia. Somente Israel é mencionado em um texto que não cita outros países como a Índia, Paquistão, Coreia do Norte, que têm armas nucleares", afirmou à AFP um alto dirigente israelense que não quis ser identificado. Paquistão, Índia e Coreia do Norte, que declaram ter armas nucleares, também não são signatários do tratado.

"(O acordo) ignora as realidades do Oriente Médio e as reais ameaças perante a região e todo o mundo",  diz o comunicado. "Considerando-se a natureza distorcida dessa resolução, Israel não poderá participar de sua implementação", afirmou o comunicado divulgado no Canadá, onde o primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, realiza uma visita.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apoiou o documento, mas disse se opor "fortemente" à menção única a Israel. Segundo o governo americano, isso prejudicaria as tentativas de convencer Israel a comparecer à conferência de 2012.

O Irã pressionou para que os cinco países do tratado com arsenais nucleares reconhecidos (Estados Unidos, China, Rússia, França e Grã-Bretanha) estabelecessem um prazo para o desmantelamento de seus arsenais atômicos, mas ao final concordou com o texto assinado pelas 189 nações.

Analistas dizem que o TNP corria o risco de perder credibilidade se, neste encontro entre os dias 3 e 28 de maio em Nova York, não tivesse chegado a um acordo. Em sua última conferência, em 2005, o grupo não conseguiu chegar a uma declaração conjunta.

*Com BBC e AFP

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