Israel recua em ameaça a repórteres que acompanham flotilha

Premiê retira ameaça de proibir por dez anos entrada no país de jornalistas estrangeiros que embarquem em frota para Faixa de Gaza

iG São Paulo |

Israel voltou atrás nesta segunda-feira da ameaça de proibir a entrada de jornalistas estrangeiros no país pelo período de dez anos se eles embarcassem em uma nova flotilha internacional de ajuda humanitária que pretende desafiar o bloqueio marítimo imposto à Faixa de Gaza.

Um comunicado oficial disse que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu instruiu as autoridades a isentar jornalistas estrangeiros "da política usual aplicada a infiltradores e aqueles que ingressam ilegalmente".

AP
Ativistas dos EUA pedem 'libertação da Faixa de Gaza' durante coletiva sobre flotilha humanitária em Atenas, Grécia
Em email enviado no domingo a organizações de mídia estrangeiras, o Escritório de Imprensa do Governo (GPO, na sigla em inglês) disse que a participação de jornalistas na flotilha seria uma "violação internacional" das leis de Israel que resultaria na proibição de entrada em Israel por dez anos e no confisco dos equipamentos dos jornalistas.

"A participação no comboio é uma violação da legislação israelense e os participantes estão sujeitos a terem negada a entrada no Estado de Israel por dez anos, ao confisco de seus equipamentos e outras sanções", diz a carta do GPO.

A Associação da Imprensa Estrangeira em Jerusalém descreveu o aviso do GPO como uma "mensagem assustadora" que levanta dúvidas quanto ao compromisso de Israel com a liberdade de imprensa. Vários legisladores israelenses também condenaram a iniciativa do GPO.

Netanyahu, que trata de dissipar uma possível crise entre seu governo e os meios internacionais antes mesmo da chegada do comboio, afirma que Israel garantirá uma cobertura "transparente" e "crível".

Alguns comentaristas locais afirmaram que o primeiro-ministro não estava sabendo da carta do GPO e que, ao tomar conhecimento da questão, pediu que o assunto fosse resolvido sem que recaiam sobre Israel acusações de impedir a liberdade de imprensa.

Israel diz que impedirá a flotilha de chegar a Gaza, território controlado pelo Hamas, e propõe que os navios que pretendem zarpar de portos europeus nesta semana atraquem em Israel ou no Egito e transfiram suas cargas para o enclave por terra.

"Os membros do gabinete decidiram nesta segunda-feira, após um debate, que o Estado de Israel está decidido a impedir a chegada da pequena frota a Gaza, com o mínimo atrito possível com os passageiros dos navios", declarou o governo em um breve comunicado divulgado após a última reunião sobre o tema antes da partida das embarcações.

O gabinete, integrado por ministros e altos funcionários de segurança, deu sinal verde a um plano apresentado pela Marinha para deter as embarcações, que devem zarpar de um ponto desconhecido nos próximos dias.

Um ano atrás nove ativistas turcos, um dos quais com nacionalidade americana, foram mortos por soldados israelenses que invadiram uma flotilha que levava ajuda humanitária a Gaza .

*Com Reuters, EFE e AFP

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