Israel reabre passagens fronteiriças com Gaza e retoma trégua

Jerusalém, 29 jun (EFE).- Israel reabriu hoje várias passagens fronteiriças com Gaza, as quais estavam fechadas há quatro dias em resposta ao lançamento de foguetes palestinos contra território israelense, que colocou em xeque a trégua com as milícias da região, iniciada há dez dias.

EFE |

Desde as 8h local (2h, em Brasília), as passagens comerciais de Sufa, assim como as de acesso de combustível, em Nahal Oz, e de pessoas, em Erez, voltaram a funcionar, embora com certas restrições, segundo fontes militares.

No entanto, a passagem comercial de Karni e a de Kerem Shalom permanecem fechadas.

De manhã, testemunhas palestinas presenciaram a entrada por Sufa de veículos carregados com produtos, vários deles de alimentos, e por Nahal Oz, de um caminhão com gás de cozinha, dois com diesel e outros dois com combustível industrial para a única central elétrica do local.

A decisão de reabrir as passagens foi adotada sábado à noite pelo ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, após este conversar por telefone com seu vice, Matan Vilnai, e com os serviços de inteligência civil interior e militar, informa o jornal "Ha'aretz".

Cerca de 80 caminhões com mercadorias entrarão em Gaza durante a operação, muito abaixo da quantidade de dois anos atrás, mas um pouco a mais em relação ao rígido bloqueio imposto por Israel à Faixa desde que, há 12 meses, o Hamas assumiu o controle da região.

Sob amparo da cessação de hostilidades, que não vigora na Cisjordânia, Israel suavizara o cerco há uma semana, ao abrir passagens fronteiriças que estavam inativas havia meses.

No entanto, primeiro a Jihad Islâmica - em resposta à morte de um de seus líderes pelo Exército israelense na Cisjordânia - e depois as Brigadas dos Mártires de al-Aqsa violaram o cessar-fogo ao lançarem foguetes Qassam e bombas contra as localidades vizinhas israelenses, sem causar vítimas nem danos materiais.

Após os ataques, Israel fechou novamente as passagens fronteiriças com Gaza as quais havia reaberto em virtude do acordo, que entrou em vigor no dia 19 e que tem duração inicial de seis meses.

Segundo este acordo, obtido por intermédio do Egito, as milícias palestinas devem deixar de lançar foguetes e bombas contra Israel, que precisa, por sua vez, suspender as operações militares em Gaza e levantar progressivamente o bloqueio ao território.

Israel também descumpriu o fim das hostilidades, principalmente com disparos contra agricultores palestinos - que iam trabalhar em suas terras entre Gaza e no Estado judeu - e contra pescadores, pois a Marinha israelense controla o espaço marítimo de Gaza.

A reabertura de hoje acontece um dia depois de o Hamas, o movimento que dirigiu o processo pela parte palestina, advertir de que não aceitará mais violações do cessar-fogo, que serve ao "interesse nacional".

"Havíamos acertado com a Jihad Islâmica que todos aqueles que violassem a trégua, mesmo fora do Hamas, seriam detidos e desarmados", explicou um de seus principais dirigentes e artífices do acordo, o ex-ministro de assuntos exteriores da Autoridade Nacional Palestina (ANP) Mahmoud Zahar.

Zahar revelou também que as forças de segurança do Hamas detiveram milicianos que pretendiam descumprir a trégua.

Já Khaled al-Batsh, um dos principais dirigentes da Jihad Islâmica, insistiu em que o movimento "guarda o direito de vingar todos os crimes israelenses independentemente de onde estes aconteçam".

Na Cisjordânia, soldados israelenses mataram nesta madrugada um adolescente palestino, Mohammed Nasir Said Daraghme, de 17 anos, durante uma operação de patrulha no povoado de Tubas, informaram testemunhas.

Um porta-voz militar israelense confirmou que suas forças abriram fogo e balearam "um miliciano que lançava coquetéis molotov" às tropas.

No sábado, outro adolescente palestino morreu no povoado de Beit Umar, na Cisjordânia, ao receber um disparo na cabeça por soldados israelenses, contra os quais havia lançado coquetéis molotov.

Embora a Cisjordânia esteja inicialmente excluída da trégua, teme-se que estas mortes gerem, em Gaza, uma resposta palestina que ponha em risco a sua já frágil manutenção, como aconteceu na semana passada. EFE ap/fh/db

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