Israel quer garantias dos EUA para frear expansão de colônias

Governo condiciona votação de moratória em assentamentos a envio pelos EUA de garantias por escrito de acordo entre os dois países

Nahum Sirotsky, de Israel |

O governo de Israel condiciou a votação de uma nova moratória à expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia, território ocupado desde 1967, ao envio pelos EUA de garantias por escrito de que cumprirá um acordo entre os dois países, segundo disseram nesta terça-feira o vice-primeiro-ministro israelense, Dan Meridor, e o ministro das Finanças Yuval Steinitz.

Em troca de 90 dias de suspensão das construções, os EUA propuseram acionar seu direito de veto no Conselho de Segurança da ONU, por um período de um ano, contra qualquer resolução desfavorável a Israel, como o reconhecimento formal de um Estado palestino. Além disso, os EUA concederiam um pacote de garantias das fronteiras e de ajuda militar, incluindo a doação de 20 aviões de caça F-35, no valor de US$ 3 bilhões, para Israel.

Meridor disse à rádio do Exército que o primeiro-ministro do Israel, Benyamin Netanyahu, deseja uma carta que contenha os cinco pontos do acordo, acertados verbalmente com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em Nova York, na semana passada. Israel publicou no sábado o plano que teria sido acertado com Hillary, mas que não foi confirmado por Washington.

Os EUA esperam que a nova moratória permita o reatamento das negociações de paz entre israelenses e palestinos, que foram iniciadas em 2 de setembro em Washington, mas foram interrompidas em 26 desse mesmo mês.

O primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, deveria apresentar as propostas de Washington para votação nesta semana, mas o plano foi adiado após a coalizão pró-colonos ter protestado contra o projeto de congelar as construções por 90 dias. O gabinete de segurança de Israel realizará sua reunião semanal na quarta-feira e, até agora, a questão não estava prevista na agenda do encontro, informaram fontes políticas israelenses.

Há informações de que a proposta foi travada pela incerteza de vários ministros do partido do premiê, o Likud, sobre a disposição dos EUA em cumprir as promessas e pelo anúncio do partido ultraortodoxo Shas de que seu líder espiritual, o rabino Ovadia Yosef, só tomará uma decisão depois que ler o texto do acordo.

Uma fonte política israelense acusou os palestinos de adiar o compromisso escrito dos EUA, ao se opor à exclusão de Jerusalém Oriental do congelamento proposto, entre outros pontos.

*Com Reuters e EFE

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