Israel quer bloquear passagem de navios de ONG que querem chegar a Gaza

Jerusalém, 17 ago (EFE).- O Ministério da Defesa de Israel tem a intenção de bloquear a passagem, se for necessário à força, de duas embarcações de uma ONG internacional que quer protestar contra o isolamento da Faixa de Gaza há mais de um ano.

EFE |

A reação de Israel à iniciativa da ONG "Free Gaza Movement" (Movimento pela Liberdade de Gaza), na qual participam cerca de 60 ativistas de mais de 15 países, foi estudada em várias ocasiões por funcionários do Ministério da Defesa e do de Exteriores nas últimas semanas, informa hoje o jornal "Ha'aretz".

O Ministério da Defesa está inclinado pelo uso da força, se for necessário, para impedir que as embarcações cheguem à faixa, segundo a fonte.

Para o Ministério de Exteriores, bloquear os dois navios é um "direito" de Israel contemplado nos Acordos de Oslo, que o tornaram responsável pela jurisdição marítima palestina.

As embarcações estão neste momento em alto-mar entre Creta e Chipre, após um atraso de vários dias na iniciativa por causa das más condições meteorológicas entre as duas ilhas.

"Chegarão ao Chipre na terça-feira ou quarta-feira, e esperamos que saiam em direção a Gaza na sexta-feira ou um pouco depois", disse hoje à agência Efe Angela Godfrey-Goldstein, porta-voz da ONG.

Sobre a possibilidade de serem atacados por patrulhas marítimas israelenses, a ativista manifestou que "não se desviarão para águas jurisdicionais israelenses" e que estão em seu direito de navegar por águas internacionais sem que Israel os detenha.

Espera-se que o choque ocorra durante a aproximação das águas jurisdicionais de Gaza dos dois navios, de bandeira grega e rebatizados para a missão como "Liberty" (Liberdade) e "Free Gaza" (Gaza Livre).

A Marinha israelense controla o mar de Gaza desde que começou a Intifada de Al-Aqsa em 2000, e desde há um ano não permite que nenhuma embarcação palestina saia para pescar fora de uma linha de demarcação preestabelecida, nem que nenhum navio rompa o bloqueio mantido na região.

Para o Ministério da Defesa, permitir que os navios alcancem a costa pode criar um "perigoso precedente" porque o movimento islamita Hamas "está ansioso para aproveitar as iniciativas de qualquer ativista para suas necessidades políticas", segundo o jornal.

"Eles (os ativistas) querem ir a Gaza, são convidados em Gaza, e não irão a nenhum outro lado. Têm advogados a bordo caso sejam detidos", disse a porta-voz da ONG ao ser consultada sobre a possibilidade de serem abordados por forças israelenses.

O jornal destaca que, apesar da decisão, o Ministério da Defesa ainda não deu instruções à Marinha de Guerra de como proceder. EFE elb/ma

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