Israel pune comandantes militares por abrir fogo em áreas povoadas de Gaza

Jerusalém, 1 fev (EFE).- O Exército israelense puniu comandantes militares por ordenar o uso de bombas de fósforo branco sobre populações civis na cidade de Gaza, segundo as alegações apresentadas por Israel perante a ONU em resposta ao relatório Goldstone, informa hoje o diário Haaretz.

EFE |

O coronel Ilan Malka e o general-de-brigada Eyal Eisenberg foram investigados e punidos pelas Forças Armadas de Israel (Tzahal) por ter ordenado o uso de munição de fósforo branco que atingiu o complexo da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) em Gaza durante a operação Chumbo Fundido, diz o jornal israelense.

Um porta-voz do Exército disse à Agência Efe que dois militares dessas categorias (cujos nomes preferiu não dizer) foram repreendidos, mas negou que tenha sido por incidentes relacionados ao uso de fósforo branco.

Segundo o porta-voz, os militares foram punidos por "uso de munição de artilharia em áreas altamente povoadas, o que foi considerado inadequado, embora não haja informações sobre feridos".

A punição, disse o porta-voz, "demonstra que a Tzahal atua de forma transparente e que fiscaliza a si mesma" após uma operação como a de Gaza, na qual morreram mais de 1,4 mil palestinos e 13 israelenses durante 22 dias desde seu início em 27 de dezembro de 2008.

No entanto, segundo o "Haaretz", a repreensão ocorreu porque os dois militares tinham "excedido sua autoridade ao aprovar o uso de bombas de fósforo que puseram em perigo vidas humanas".

Pelo menos um funcionário da UNRWA e dois civis que estavam no edifício da ONU ficaram feridos pelo fósforo branco, cujo uso é proibido pelo direito internacional em áreas densamente povoadas e só é permitido para criar cortinas de fumaça em espaços abertos.

Durante a operação de Gaza, diversas organizações internacionais de direitos humanos denunciaram que o uso de fósforo branco viola a Convenção sobre Armas Químicas de 1997 e o direito humanitário, que determina tomar todas as precauções possíveis em situação de conflito para evitar a perda de vidas e danos a civis.

O relatório Goldstone foi elaborado para a ONU pelo juiz Richard Goldstone para tratar da ofensiva israelense em Gaza. Ele concluiu que tanto Israel como o Hamas cometeram crimes de guerra durante a ofensiva e pediu a ambas as partes a abrirem investigações independentes sobre o ocorrido. EFE aca/sa

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