Israel prossegue com bombardeios e prepara ofensiva terrestre contra o Hamas

GAZA - Israel, comprometido em uma guerra sem piedade contra o Hamas, bombardeou a Faixa de Gaza nesta segunda-feira pelo terceiro dia consecutivo, em um conflito que já matou 325 pessoas, ao mesmo tempo que cresce a perspectiva de ataques terrestres.

Redação com agências internacionais |

A Organização de Libertaçao da Palestina (OLP), do presidente Mahmud Abbas, pediu nesta segunda-feira o envio de uma força internacional a Gaza para proteger seus habitantes.

A área de fronteira com Gaza foi declarada " zona militar fechada " pelo Exército israelense, uma medida que pode ser considerada o prelúdio de operações terrestres.

"Não temos nada contra os habitantes de Gaza, mas estamos comprometidos em uma guerra sem piedade contra o Hamas e seus aliados", declarou o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, na Knesset (Parlamento).


Civis ficam feridos após ataques israelenses / Foto: AP

Tanques israelenses foram destacados para os limites de Gaza, podendo entrar na área densamente povoada, com 1,5 milhão de pessoas, onde um cessar-fogo de seis meses com o Hamas se encerrou no dia 19 de dezembro. O gabinete de Israel aprovou a convocação de 6,5 mil reservistas.

A ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, que pretende se tornar a premiê nas eleições de 10 de fevereiro, aparentemente descartou uma invasão em grande escala à Faixa de Gaza, uma ação que restauraria o controle israelense na região.

"O nosso objetivo não é reocupar a Faixa de Gaza," disse ela a um programa da rede norte-americana NBC. Questionada se Israel derrubaria o governo do Hamas em Gaza, Livni respondeu: "Não agora."

Novos bombardeios nesta segunda

Depois de uma série de bombardeios noturnos, os aviões israelenses executaram novos ataques na Faixa de Gaza na manhã desta segunda-feira , destruindo o gabinete do primeiro-ministro do governo do Hamas, Ismail Haniyeh.

Durante a noite, um avião israelense bombardeou a Universidade Islâmica de Gaza - considerada um reduto do movimento radical islâmico Hamas - e uma mesquita em Jabaliyah, norte do território.

Cinco meninas da mesma família, com idades entre um e 12 anos, que moravam perto do templo, morreram neste ataque.

Vítimas civis

A maioria das vítimas fatais é de integrantes do Hamas, mas entre elas também estão muitos civis, incluindos crianças.


Criança ferida chega nos braços do pai ao hospital Shifa, na Faixa de Gaza / AP

"Lamentamos muito que existam vítimas civis, embora não sejam numerosas. Não queremos atacar mulheres, crianças, homens; e não impedimos a ajuda humanitária", afirmou Barak na Knesset.

Abbas discutirá ataques com facções

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, discutirá com os líderes das facções palestinas, incluída o Hamas, a situação em Gaza. "Agora temos que estar unidos e ser apenas uma mão para deter a agressão contra nosso povo na Faixa de Gaza", declarou Abbas à imprensa enquanto presidia uma reunião de emergência da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

O presidente da ANP definiu a situação na Faixa de Gaza de "trágica" e "desesperada", ao anunciar que o encontro do comitê executivo da OLP, iniciado hoje, se concentrará na ofensiva israelense.

"Desejamos uma pronta recuperação a nossos feridos e condenamos este último ataque contra nosso povo", declarou.

Nesta segunda, o chefe da equipe palestina que negocia a paz com Israel, Ahmed Qorei, anunciou que as conversas foram suspensas em protesto pela ofensiva à Faixa de Gaza.

"É impossível manter negociações de paz com Israel enquanto seu Exército está cometendo massacres contra nosso povo na Faixa de Gaza", declarou Qorei aos jornalistas em Ramala.

Entenda a operação contra o Hamas

Israel iniciou na manhã de sábado uma operação contra o Hamas na Faixa de Gaza, de uma violência sem precedentes desde a ocupação dos territórios palestinos pelo Estado hebreu em 1967, com o objetivo declarado de acabar com os disparos de foguetes contra o sul do país a partir deste território palestino.

O movimento radical islâmico Hamas controla Gaza desde junho de 2007, quando expulsou as tropas leais ao presidente palestino Mahmud Abbas.

Com a ameaça latente de uma ofensiva terrestre, Israel convocou no domingo 6.500 reservistas. Nesta segunda-feira foram deslocados para a fronteira com a Faixa de Gaza reforços de infantaria e carros blindados. O Hamas respondeu com novos disparos de foguetes.


Fumaça sobe após ataque israelense em Gaza / Reuters

Foguetes de palestinos

Na cidade israelense de Ashkelon, ao sul do país, um foguete lançado da região controlada pelo Hamas matou uma pessoa, no segundo incidente desse tipo desde sábado, quando o país iniciou a ofensiva mais forte em décadas contra militantes palestinos.

Mark Regev, um porta-voz do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que a ação militar seria mantida até que a população do sul de Israel "não viva mais sob terror e medo devido ao constante lançamento de foguetes". "(A operação poderia) durar vários dias", disse o porta-voz militar Avi Benayahu.

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