Israel propõe ida de Lula a túmulo de sionista e gera mal-estar

A proposta de inclusão de uma visita ao túmulo de Theodor Herzl na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu giro por Israel e territórios palestinos está causando mal-estar no primeiro dia de visita oficial nesta segunda-feira. De acordo com veículos de imprensa de Israel, o Brasil teria pedido esclarecimentos ao governo israelense sobre a inclusão da cerimônia de homenagem ao fundador do movimento Sionista na agenda de Lula na terça-feira.

BBC Brasil |

A comitiva brasileira afirmou que Lula não tem intenção de ir ao local.

A agenda de Lula originalmente previa para terça-feira apenas uma visita ao museu do Holocausto e depois um depósito de flores ao túmulo de Yitzhak Rabin, o primeiro-ministro israelense que iniciou o processo de paz com os palestinos e foi assassinado em 1995 por um extremista de direita israelense.

De acordo com a diretora do departamento de América Latina do ministério de Relações Exteriores de Israel, Dorit Shavit, o governo israelense vai fazer todos os esforços para convencer o presidente Lula de que não há intenções ocultas por trás do pedido de visita ao túmulo de Herzl, cujo sesquicentenário de nascimento está sendo celebrado neste ano.

No entanto, segundo a comitiva brasileira, também não há intenções "ocultas" por parte do presidente Lula em não ir ao túmulo.

"Não é uma questão de dar sinais políticos ocultos. Está se fazendo uma tempestade em copo d'água e a decisão não é uma desfeita por parte do presidente", disse a fonte.

A informação que chegou ao governo brasileiro é que a visita ao túmulo de Herzl não é praxe de viagens oficiais. Os dois últimos chefes de Estado que passaram por Israel - o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi - não visitaram o local.

'Insulto'
A eventual recusa de Lula em visitar o túmulo de Herzl pode provocar uma reação negativa em Israel, pelo menos na opinião de Michael Jankelowitz, porta-voz da Agência Judaica, instituição sionista que desde a criação do Estado de Israel cuida das relações com a comunidade judaica no exterior e intermedeia a imigração de judeus para o país.

Segundo Jankelowitz, uma eventual recusa em incluir a visita em sua agenda "seria considerado um insulto a Israel" e Lula iria "para a história como o primeiro chefe de estado a se recusar a prestar essa homenagem no Estado de Israel".

Para ele, a possível decisão comprometeria as ambições do governo brasileiro de ser um mediador no conflito entre israelenses e palestinos.

"Isso mostraria que Lula não é um mediador justo", disse ele à BBC Brasil.

O presidente Lula chegou neste domingo a Israel e foi recebido neste segunda-feira em uma cerimônia oficial na residência do presidente Shimon Peres. Mais tarde ele fará um discurso no Parlamento e depois terá um encontro com o primeiro-ministro Binjamin Netanyahu.

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