Israel pressiona Obama a permitir expansão de assentamentos

Por Adam Entous JERUSALÉM (Reuters) - O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quer negociar um acordo com os Estados Unidos pelo qual as construções israelenses possam continuar em assentamentos judaicos já existentes na Cisjordânia, disseram autoridades israelenses e norte-americanas nesta terça-feira.

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Sob pressão do presidente dos EUA, Barack Obama, Netanyahu aceitou publicamente esta semana pela primeira vez a meta apoiada internacionalmente de criação de um Estado palestino, mas estabeleceu uma série de precondições que foram rejeitadas pelos palestinos.

Netanyahu se recusa a aceitar o pedido explícito de Obama de um congelamento total dos assentamentos na Cisjordânia, ocupada pelos israelenses, e defende a construção nos blocos existentes para acomodar o crescimento das famílias de colonos judeus, denominado de "crescimento natural".

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, exige a suspensão de todas as construções, incluindo as voltadas ao crescimento natural, como condição para retomar as estancadas negociações de paz com Israel.

Autoridades ocidentais disseram que conselheiros de Netanyahu afirmaram a seus interlocutores norte-americanos e europeus que o governo israelense não tem autoridade legal para interromper a construção em casos em que já foram emitidos alvarás ou casas novas que já tenham sido compradas.

Representantes dos EUA na região não fizeram comentários de imediato, mas uma alta autoridade ocidental disse que no governo norte-americano alguns têm "simpatia" pelas posições de Netanyahu. Um congelamento total das construções nos assentamentos pode levar ao rompimento da coalizão direitista de governo do primeiro-ministro.

"Acho que há compreensão nos EUA e Europa sobre nossa demanda básica de permitir pelo menos o crescimento natural", disse o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, à Rádio Israel, durante uma visita à Europa.

Em uma conversa telefônica com Netanyahu na segunda-feira, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, deixou claro que a Grã-Bretanha não aceitará nenhuma construção e pediu um "congelamento completo", em conformidade com o acordo chamado de "mapa da estrada", firmado com apoio dos EUA em 2003, disse o porta-voz de Brown.

Em entrevista à TV norte-americana, Netanyahu disse que irá se encontrar com o enviado dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, durante uma visita à Europa na semana que vem para discutir os assentamentos, admitindo que essa continua sendo uma "questão contenciosa."

(Reportagem de Adam Entous e Ori Lewis)

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