Israel prende delator de programa nuclear

JERUSALÉM - A polícia israelense prendeu nesta terça-feira Mordechai Vanunu, o técnico nuclear que já havia passado 18 anos na prisão por ter revelado detalhes do programa nuclear clandestino de Israel.

EFE |

AP
O técnico nuclear israelense Mordechai Vanunu
O israelense Mordechai Vanunu

Ele foi novamente preso sob suspeitas de ter-se encontrado com estrangeiros, o que violaria as condições de sua libertação, em 2004.

Em uma audiência judicial em Jerusalém, Vanunu foi posto em prisão domiciliar por três dias enquanto continuarem as investigações do caso.

A decisão foi tomada depois que a polícia o interrogou na noite de segunda-feira e na manhã desta terça-feira, após detê-lo em um hotel de Jerusalém Oriental durante um encontro com vários estrangeiros.

Segundo o advogado Avigdor Feldman, defensor do técnico nuclear, a detenção ocorreu por causa das relações sentimentais de seu cliente com uma norueguesa, cuja identidade não foi revelada, que também foi interrogada pela polícia.

Desde sua libertação após 18 anos em prisão (parte deles incomunicáveis), Vanunu foi detido em diversas ocasiões por reunir-se com representantes da imprensa estrangeira.

Por esse motivo, o ex-espião atômico - que é proibido de deixar Israel - foi condenado em 2007 a seis meses de prisão, mas não foi obrigado a cumprir.

Em 1986, Vanunu revelou a capacidade atômica mantida em segredo por Israel e entregou ao jornal britânico "The Sunday Times" fotografias da central de Dimona, onde trabalhava.

Seduzido por "Cindy", uma agente dos serviços secretos israelenses no exterior (Mossad), foi aprisionado na Itália, julgado em Israel por alta traição e condenado a 18 anos de prisão.

Embora nenhum governo israelense tenha admitido ter armas atômicas, os analistas militares calculam que o país tenha entre 200 a 300 ogivas nucleares.

Em 1981, a imprensa estrangeira informou que Israel já era uma potência nuclear com um arsenal de 200 unidades, capacidade que tinha adquirido desde a década de 1950 com a ajuda da França e da Alemanha.

Vanunu, apresentado como candidato ao Prêmio Nobel nos últimos anos, advertiu ao comitê norueguês do prêmio que não deseja recebê-lo porque o presidente Shimon Peres já foi agraciado, "o homem que esteve por trás de toda a política atômica israelense".

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