Israel precisa se retirar de áreas ocupadas, diz Olmert

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou em uma entrevista nesta segunda-feira que Israel precisa se retirar de quase todas as áreas ocupadas em 1967 se quiser firmar a paz com palestinos e com a Síria. Olmert, que está enfrentando graves acusações de corrupção, renunciou ao cargo de primeiro-ministro na semana passada e está ocupando o cargo apenas como premiê interino.

BBC Brasil |

Em sua entrevista ao jornal Yedioth Aharonoth para marcar o ano novo judaico, Olmert afirmou que a retirada israelense precisa incluir partes da região leste de Jerusalém, que é reivindicada pelos palestinos para ser a capital do futuro Estado.

Olmert também disse que qualquer acordo de paz com a Síria precisa incluir a retirada israelense das Colinas do Golã, área que está sob controle de Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

O primeiro-ministro não deu maiores detalhes, mas afirmou que estava preparado para avançar mais do que os outros líderes israelenses para alcançar a paz.

"(O ex-primeiro-ministro) Ariel Sharon falou sobre custos dolorosos, mas se recusou a especificar detalhes", afirmou Olmert. "Não temos escolha a não ser especificar os detalhes."
"No final das contas, teremos que nos retirar das áreas mais decisivas dos territórios", acrescentou. "Em troca, pelos mesmos territórios que forem deixados em nossas mãos, teremos que dar uma compensação, em forma de territórios dentro do Estado de Israel."
"Temos que chegar a um acordo com os palestinos, o significado deste acordo é que, na prática, vamos nos retirar de quase todos os territórios, se não nos retirarmos de todos", disse.

Cerca de 400 mil colonos israelenses vivem em áreas ocupadas da Cisjordânia e do leste de Jerusalém. Outros 20 mil israelenses vivem na região das Colinas do Golã.

Polêmica
As declarações de Olmert causaram polêmica em Israel.

"Olmert cometeu o pecado imperdoável de revelar sua verdadeira posição a respeito de interesses nacionais de Israel no momento em que não tem nada a perder", afirmou Yossi Beilin, ex-presidente do partido israelense Meretz.

O ministro do Exterior palestino, Riyad al-Maliki, disse que as afirmações de Olmert vieram tarde demais.

"Gostaríamos de ter ouvido esta opinião pessoal quando Olmert era o primeiro-ministro, não depois de sua renúncia", afirmou. "Acho que é uma concessão muito importante, mas veio tarde demais. Esperamos que esta concessão seja dada pelo novo governo israelense."
Silvan Shalom, membro do Knesset pelo partido de oposição Likud, afirmou que, se Israel entregar a Cisjordânia e as Colinas do Golã, a segurança ficará comprometida.

"Ele (Olmert) sabe, com certeza, que logo depois da retirada dos territórios da Cisjordânia, ela será ocupada pelo Hamas e seus patrocinadores, os iranianos", disse Shalom. "O mesmo ocorrerá nas Colinas do Golã, quando os sírios e seus patrocinadores controlarem aqueles territórios."
"Já temos uma base iraniana na parte sul do Líbano. O Hezbollah e os sírios já estão lá e estão ameaçando a segurança de Israel", acrescentou. "Infelizmente, o mesmo vai ocorrer com a Cisjordânia e as Colinas do Golã."

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