Israel pode usar mísseis balísticos contra o Irã, diz estudo

Por Dan Williams JERUSALÉM (Reuters) - Mísseis balísticos podem ser a arma escolhida por Israel para atacar instalações nucleares do Irã se o país decidir por uma ofensiva e considerar muito arriscado um ataque aéreo, de acordo com relatório feito por um centro de estudos de Washington.

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Acredita-se que Israel possua mísseis Jericó capazes de atingir o Irã com uma precisão de poucas dezenas de metros do alvo principal. Tal capacidade eliminaria os maiores problemas do uso de aviões -- os limites de combustível e munição e a possibilidade de perder pilotos.

Exagerando análises de especialistas, de que os mais avançados mísseis Jericó podem carregar ogivas convencionais de 750 quilos, Abdullah Toukan, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, afirmou que 42 mísseis seriam suficientes para "danificar seriamente ou demolir" as principais instalações nucleares do Irã em Natanz, Esfahan e Arak.

"Se o Jericó 3 está totalmente desenvolvido e sua precisão é alta, então esse cenário pode parecer muito mais factível do que usar aeronaves de combate", afirmou Toukan no relatório, intitulado "Estudo sobre a Possibilidade de um Ataque Israelense nas Instalações de Desenvolvimento Nuclear do Irã".

Israel, cujos aviões bombardearam um reator nuclear iraquiano em 1981 e realizaram um sobrevoo de reconhecimento sobre a Síria em 2007, sugeriu que pode usar a força para impedir que o Irã tenha como construir uma bomba atômica.

Mas muitos especialistas acreditam que as instalações iranianas são muito distantes, dispersas e fortificadas para que os aviões israelenses realizem os ataques sozinhos.

Israel não confirma nem nega a existência dos Jericós, como parte de uma política da "ambiguidade" encobrindo o seu próprio arsenal atômico.

Sam Gardiner, coronel da reserva da força aérea dos EUA que presta consultoria ao governo em Washington, colocou em dúvida o sucesso de ataques com mísseis ao Irã, destacando, por exemplo, as enormes fortificações de Natanz.

"A conclusão norte-americana é que a única forma de conseguir a profundidade necessária é jogar um segundo explosivo no buraco feito pelo primeiro", disse ele, acrescentando que seria necessária uma precisão grande demais para os mísseis de longo alcance.

Toukan, cujo relatório de 144 páginas critica a possibilidade um uma ação unilateral de Israel, afirmou que uma salva de mísseis Jericó pode causar um contra-ataque iraniano com mísseis Shehab. Outras represálias seriam o corte das exportações de petróleo, atingir posições dos EUA no Golfo Pérsico, e ordenar ataques contra alvos judaicos no exterior.

Alguns especialistas israelenses descartam a ameaça dos Shehab, citando informações da inteligência de que o Irã teria menos de 100 armas como essa e que, se lançados, a maioria poderia ser destruído por mísseis Arrow II.

"Sob tais circunstâncias, esperaríamos um pouco mais do que uma repetição da Guerra do Golfo", afirmou um ex-general, referindo-se aos 40 mísseis Scud lançados pelo Iraque contra Israel durante o conflito de 1991. Tais ataques causaram danos, mas poucas mortes.

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