Israel paga um preço muito alto em troca de prisioneiros com o Hisbolá

Ana Cárdenes Rosh Hanikrá (Israel), 16 jul (EFE).- Israel conseguiu hoje em uma troca de presos com o Hisbolá o que não alcançou nos 34 dias de conflito com a milícia libanesa em 2006: trazer seus soldados para casa.

EFE |

No início desta manhã, o Hisbolá confirmou o que todos temiam ao mostrar para as câmeras de TV dois caixões negros: os jovens soldados Ehud Goldwasser e Eldad Regev, cuja captura deu origem à disputa, estavam mortos.

Para recuperar seus restos mortais o Estado judeu teve que pagar um alto preço: a libertação de cinco prisioneiros libaneses - entre eles Samir Kuntar, condenado a quatro penas de prisão perpétua por inúmeros assassinatos - e a entrega dos restos mortais de 197 palestinos e libaneses.

Por volta das 10h (horário local) a Cruz Vermelha Internacional realizou a entrega dos restos mortais na passagem fronteiriça de Rosh Hanikrá aos rabinos militares e analistas médicos e legistas, que realizaram exames de DNA e determinaram que correspondiam efetivamente aos dois soldados israelenses.

Eram já três da tarde quando os generais Eliaser Stern e Gadi Shimani seguiram para as casas de familiares de Regev e de Goldwasser para confirmarem a notícia.

A partir deste momento, as autoridades israelenses começaram a cumprir sua parte da troca e entrega dos restos mortais - que foram transferidos para a fronteira em um comboio de 24 caminhões da Cruz Vermelha - e dos cinco prisioneiros vivos.

Os libertados foram recebidos com honras de heróis nacionais no outro lado da fronteira por uma multidão que celebrou a libertação como um novo triunfo do Hisbolá sobre Israel.

A milícia xiita também entregou a Israel um pequeno ataúde com restos mortais de vários soldados mortos no conflito que aconteceu entre julho e agosto de 2006.

O general Stern declarou aos jornalistas estar vivendo um momento muito duro com a confirmação da morte dos dois soldados, mas, ao mesmo tempo, se diz satisfeito por "ter completado uma missão ao conseguir trazê-los outra vez para a terra de Israel".

Ainda hoje as famílias dos dois soldados compareceram à base militar de Shagra, próxima à fronteira com o Líbano, para receberem os restos mortais e participarem de um pequeno ato em memória de seus entes queridos.

Regev e Goldwasser, ambos soldados não profissionais que estavam na reserva quando foram convocados para participarem do conflito com o Hisbolá, foram promovidos, a título póstumo, ao posto de primeiro-sargento e serão enterrados amanhã nos cemitérios militares de Kiryat Motzkin e Nahariya, onde moram seus familiares.

No Estado de Israel a troca foi recebida como um golpe doloroso, pois representa a libertação de Kuntar, considerado um assassino cruel que foi capaz de esmagar com brutalidade o crânio de uma menina.

Entretanto, apesar de terem surgido algumas críticas ao Governo por pagar com presos vivos a entrega de soldados mortos, a maior parte dos israelenses considerou o preço excessivo, mas necessário, para encerrar de uma vez por todas um caso que incomodava a sociedade israelense.

As trocas de presos com o Hisbolá, habitualmente desfavoráveis para Israel, são explicadas pela importância que o judaísmo, o Exército e a sociedade israelense dão ao enterro dos mortos de forma íntegra.

"Os estrangeiros não entenderão o que todo israelense sabe bem: a responsabilidade mútua e a preocupação com cada um de nossos soldados é o elemento que une nossa sociedade", declarou o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, em mensagem divulgada hoje.

A troca foi aprovada pelo Governo apesar da oposição dos serviços de inteligência, que a viam como um incentivo aos seqüestros de cidadãos israelenses para usá-los como moeda de troca.

Nos territórios palestinos centenas de pessoas se concentraram hoje para saudarem a libertação dos libaneses e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, enviou uma mensagem de felicitação aos cinco presos mesmo estando em Malta.

O Hamas aproveitou a atenção à troca para anunciar formalmente a interrupção das negociações com Israel para a libertação do soldado israelense Gilad Shalit até que sejam abertas as passagens fronteiriças de Gaza. EFE aca/fal

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