Israel oferece frequências de telefone se ANP retirar demanda no CIJ

Jerusalém, 27 set (EFE).- Israel exigiu à Autoridade Nacional Palestina (ANP) que retire um pedido que apresentou perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ) para que investigue os supostos crimes de guerra cometidos pelo Exército israelense durante sua ofensiva iniciada no ano passado na Faixa de Gaza.

EFE |

O jornal israelense "Ha'aretz" informa, em sua edição de hoje, que a exigência foi apresentada à ANP como condição para conceder uma segunda licença de telefonia celular, que os palestinos pedem a Israel há meses.

A concessão da licença está à espera de aprovação, porque as frequências requeridas pela ANP são muito parecidas com as usadas na Cisjordânia pelo Exército israelense.

Se não obtiver a permissão até 15 de outubro, o Governo palestino poderia incorrer em um descumprimento de contrato com o fornecedor, a empresa Wataniya, à qual deverá compensar em US$ 300 milhões pelas infraestruturas que já instalou.

Na ANP, existe atualmente uma única companhia de telefones celulares, a Paltel, e a concessão de uma segunda licença é vista pela liderança palestina como um assunto vital, segundo o "Ha'aretz".

"Diplomatas ocidentais, entre eles o enviado do Quarteto do Oriente Médio, Tony Blair, esclareceram a importantes funcionários israelenses que o tempo está acabando, e pediram para conceder a permissão", afirma o jornal.

Mohammed Mustafa, assessor econômico do presidente da ANP, Mahmoud Abbas, declara que Israel "está nos colocando impedimentos" e quer que "a Paltel deixe livres algumas de seus frequências para que a Wataniya as use".

A disputa pelas consequências técnicas da entrada em serviço de uma nova companhia celular se juntou, como elemento de pressão, ao pedido que a ANP apresentou recentemente à CIJ para investigue os supostos crimes de guerra cometidos por Israel na operação do final de 2008 e começo deste ano, na qual morreram cerca de 1,4 mil palestinos, na maioria civis.

A demanda palestina, por causa das conclusões publicadas pela Comissão Goldstone, designada pela ONU, obteve a autorização pessoal de Abbas.

"Em Israel, acham que a ANP está sendo injusta, porque, no momento da operação, seus mais altos funcionários encorajaram seus pares israelenses a aumentar a pressão sobre Hamas, e inclusive a que tentasse colapsar (o regime islâmico)", afirma o diário.

Só por volta do final do conflito, a ANP se uniu à onda de críticas internacionais contra Israel.

"A ANP chegou a um ponto no qual tem que decidir se está conosco ou contra nós", disseram fontes militares ao "Ha'aretz", ao justificar a recusa do Exército a deixar livres as frequências de que a Wataniya precisa. EFE elb/an

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