Israel: Netanyahu se afirma como chefe do governo após resultados oficiais

O líder do conservador Likud, Benjamin Netanyahu, confirmou nesta quinta-feira sua posição como favorito a formar o próximo governo de Israel, após a divulgação dos resultados oficiais das eleições legislativas, nas quais o partido conseguiu 27 cadeiras.

AFP |

O principal rival do Likud, o partido de centro-direita Kadima, da ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni, obteve 28 cadeiras do Parlamento unicameral (Knesset), de acordo com os resultados definitivos das eleições, realizadas no dia 10 de fevereiro, publicados nesta quinta pela comissão central eleitoral.

Favorecido pela pequena diferença, Netanyahu conta ainda com o apoio de um bloco de partidos de direita, que garantem a ele a maioria necessária para formar o governo.

Neste contexto, Netanyahu se reuniu nesta quinta-feira com os dirigentes da direita religiosa, contrários a qualquer concessão aos palestinos, para tentar associá-los a sua equipe.

Enquanto isso, a comunidade internacional se preocupa com o risco de que a formação de um governo com forte participação da extrema-direita enterre o processo de paz com os palestinos de maneira irreversível.

Estados Unidos e Europa insistiram para que Israel dê continuidade aos esforços para chegar a um acordo de paz.

Segundo a rádio pública, Netanhayu se encontra nesta quinta-feira com os representantes dos dois partidos da direita religiosa, que reúnem sete dos 120 deputados da Knesset, que defendem a colonização judaica, por motivos religiosos e históricos.

Na quarta-feira, ele se reuniu com Avigdor Lieberman, líder do partido de extrema-direita laico Israel Beitenu, que com 15 deputados passará a ser a terceira formação do Parlamento. Lieberman expressou sua preferência por um governo de direita, mas não descartou outras candidaturas.

Em todo caso, a imprensa e analistas concordam que Netanyahu será o próximo primeiro-ministro de Israel.

De fato, por falta de aliados políticos, a líder do Kadima (centro), Tzipi Livini, não tem nenhuma chance de formar um governo, apesar de seu partido ter uma cadeira a mais que o Likud.

Livni só pode contar por ora com os 28 deputados do Kadima, já que nem as próprias formações de esquerda, que saíram muito enfraquecidas da eleição, manifestaram apoio ao nome dela.

Os líderes do Partido Trabalhista, que caiu de 19 para 13 cadeiras no Parlamento, já avisaram que passarão à a oposição, pois não conseguem sequer pensar em formar um gabinete com Livni.

"A tendência é que os trabalhistas não proponham nenhum candidato para o cargo de primeiro-ministro", declarou à AFP o porta-voz do partido, Lior Rothblat.

"É preciso parar com esse circo midiático. Ela não pode continuar pretendendo ter sido eleita pelo povo para assumir a direção do país só porque seu partido tem uma cadeira a mais no Parlamento", declarou à AFP o cientista político Abraham Diskin.

A grande questão é saber se Netanyahu formará um governo restrito, com Lieberman, ou ampliado, com a participação do Kadima, sua opção favorita.

Todos os jornais israelenses descartaram a possiblidade de um governo dirigido por Livni, mesmo na hipótese pouco provável de ela conseguir o apoio de Lieberman.

"Mesmo que Lieberman quisesse, não poderia fazer de Livni a chefe do governo", afirma o editorial do jornal Yediot Aharonot.

O presidente israelense, Shimon Peres, deve iniciar na próxima semana suas consultas com os partidos políticos para escolher o novo primeiro-ministro do país sem ferir a confiança do Parlamento.

ms/yw/fp/ap

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