O Exército de Israel negou nesta quinta-feira que as munições com fósforo branco, usadas pelas Forças Armadas na recente ofensiva contra a Faixa de Gaza, constitua um crime de guerra, como afirma a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch.

"Com base nos dados obtidos até agora, é possível concluir que o Exército israelense utilizou obuses fumígenos de acordo com a lei internacional", afirma um comunicado militar.

"Estes obuses foram usados para responder apenas às necessidades operacionais específicas conforme o direito internacional. As afirmações de que estes obuses foram utilizados de forma indiscriminada ou para ameaçar a população civil não têm fundamento", completa a nota.

A Human Rights Watch, que tem sede em Nova York, afirma em um relatório que os bombardeios de Israel com munições que continham fósforo branco sobre zonas densamente povoadas de Gaza, durante a operação de 27 de dezembro a 18 de janeiro, poderiam ser consideradas crimes de guerra.

"O Exército israelense disparou reiteradamente munições com fósforo branco sobre zonas povoadas, matando e ferindo civis e danificando infraestruturas civis, incluindo uma escola, um mercado, um depósito de armazenamento de ajuda humanitária e um hospital", destacou a ONG.

As munições com fósforo branco, que acende em contato com o oxigênio e queima em temperatura muito elevada, não são proibidas por nenhum tratado internacional. Mas o uso está regulamentado pelo protocolo III da Convenção de Armas Clássicas de 1980 "sobre a proibição ou limitação de armas incendiárias", ao qual Israel não aderiu.

Em três semanas de confrontos na Faixa de Gaza, com o objetivo oficial de acabar com os disparos de foguetes contra o sul de Israel por grupos palestinos, em especial o Hamas, morreram 1.330 palestinos e 13 israelenses.

yad/fp

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