Israel nega planos de trégua na Faixa de Gaza, diz jornal

Oficiais israelenses negaram que o departamento de Defesa de Israel vá recomendar a adoção de um cessar-fogo temporário na Faixa de Gaza. Segundo o jornal israelense Haaretz, o primeiro-ministro do país, Ehud Olmert, disse nesta terça-feira que a ofensiva militar continua até quando for necessário.

Redação com agências internacionais |



"A ofensiva começou e não vai acaba até que nossos objetivos sejam alcançados. Vamos continuar seguindo nosso plano", disse Olmert.

A afirmação do primeiro-ministro foi feita após a imprensa noticiar que dirigentes israelenses iriam discutir a proposta de cessar-fogo ainda nesta terça-feira.

Oficiais do país teriam informado que Olmert se reuniria com sua chanceler, Tzipi Livni, e com o titular da Defesa, Ehud Barak, para avaliar a situação e examinar uma proposta francesa de cessar-fogo de 48 horas.

Após essa informação ser divulgada, Mushir Masri, porta-voz do Hamas, afirmou que o grupo islâmico não aceitará uma trégua sem que aconteça a abertura das fronteiras da Faixa de Gaza. Masri disse que o fim dos ataques não será suficiente. "É necessário que o bloqueio à Faixa de Gaza termine para que o Hamas estude a proposta", disse.

Fumaça é vista na Faixa de Gaza, após ataque israelense

Fumaça é vista na Faixa de Gaza, após ataque israelense

A Casa Branca anunciou que, na manhã desta terça, o presidente dos EUA, George W. Bush, telefonou para o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e para seu primeiro-ministro Salam Fayad para conversar "sobre as condições de um cessar-fogo duradouro".

Quarto dia de ataques

Aeronaves israelenses atacaram novos alvos na Faixa de Gaza nas primeiras horas desta terça-feira, no quarto dia de ofensiva contra prédios e instalações do grupo militante palestino Hamas.

Segundo fontes médicas na região, os ataques aéreos teriam deixado pelo menos dez mortos e outros 40 feridos. Autoridades palestinas confirmaram 375 mortes e 1.600 feridos desde o início dos combates.

A situação nos hospitais da região foi classificada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha como "caótica", com os grupos de auxílio médico "pressionados ao seu limite".

Em uma entrevista coletiva nesta segunda-feira, o chefe de assuntos humanitários da Organização das Nações Unidas, John Holmes, afirmou que ao menos 62 mortos eram civis. "Este número só leva em conta as mulheres e crianças mortas, não incluímos o número de homens mortos civis, apesar de sabermos que também houve mortes entre eles", disse Holmes em uma entrevista coletiva.

Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira a liberação em 2009 de uma verba de US$ 85 milhões para a Agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA).

Do total de fundos, US$ 25 milhões serão destinados aos trabalhos que as Nações Unidas realizam na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, e os outros US$ 60 milhões irão para o fundo geral da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA, na sigla em inglês).

Através dessa ajuda humanitária, os refugiados palestinos, que formam 70% da população na Faixa de Gaza e 30% da Cisjordânia, receberão provisões "urgentemente necessárias" como alimentos, remédios e outros tipos de assistência humanitária, destacou o comunicado.

Por sua vez, a contribuição americana ao fundo geral da UNRWA apoiará os projetos de educação, cobertura médica e serviços sociais para mais de 4,6 milhões de refugiados palestinos inscritos nesses programas na Faixa de Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Líbano e Síria, acrescentou o documento.

Ofensiva

A ofensiva militar começou no sábado, uma semana depois do fim de um acordo de cessar-fogo de seis meses com o Hamas.

Israel bombardeou todas as principais cidades da Faixa de Gaza, inclusive a Cidade de Gaza, no norte do território, e Khan Younis e Rafah, no sul.

Mais de 210 alvos foram atingidos nas primeiras 24 horas do que Israel diz que pode ser uma longa operação militar.

Segundo analistas, sábado foi o dia em que foram registradas mais mortes na Faixa de Gaza desde a ocupação israelense do território em 1967, embora ainda não exista uma confirmação independente do número de mortos.

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