Israel não permitirá retorno de refugiados palestinos

JERUSALÉM - Israel não permitirá o retorno ao Estado judeu de refugiados palestinos amparado por um acordo de paz, disse nesta quinta-feira Mark Regev, porta-voz do Gabinete do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert.

EFE |

O jornal israelense "Ha'aretz" afirma nesta quinta-feira que Olmert ofereceu ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, a possibilidade de retorno a Israel de 20 mil refugiados palestinos.

No entanto, o Gabinete do premiê israelense negou a informação e disse que o Estado judeu não permitirá o retorno dos refugiados, que hoje somam 4 milhões.

"A posição israelense é clara: assim como a criação do Estado judeu em 1948 solucionou o problema dos refugiados judeus, a criação de um Estado palestino que viva em paz ao lado de Israel será a solução para os refugiados palestinos", afirmou Regev.

"Os refugiados palestinos deverão retornar para a Palestina, e não para Israel", acrescentou.

Esta postura vai de encontro às exigências dos dirigentes palestinos no processo de paz, que incluem o direito de retorno dos refugiados para suas terras de origem, onde hoje é Israel e que é reconhecido pela ONU.

O "Ha'aretz" publicou esta semana várias informações que revelam os detalhes do processo de negociação entre Olmert e Abbas, até agora mantidos fora do foco da imprensa.

O jornal citava nesta quinta-feira "fontes em Israel e nos Estados Unidos" para assegurar que "Olmert propôs a Abbas que Israel absorva 2 mil refugiados palestinos por ano durante os próximos dez anos".

Uma fonte da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) que pediu para não ser identificada afirmou que, "por enquanto, Israel não pôs nenhuma oferta concreta sobre a mesa", mas acrescentou que é crível que o número de 20 mil "seja o que o lado israelense esteja negociando" e que isso tenha vazado para a imprensa.

Em qualquer caso, segundo a fonte, "a OLP nunca poderá aceitar um acordo que não inclua o reconhecimento do princípio de retorno dos refugiados palestinos, de acordo com o direito internacional e com o conversado em todos os processos de negociação anteriores".

"Israel deve reconhecer sua responsabilidade do nascimento em 1948 do problema dos refugiados, mesmo que isso não implique no retorno de todos eles", acrescentou.

Israel se nega a conceder o direito de retorno aos 4 milhões de refugiados palestinos, já que isso implicaria na perda de seu caráter judaico, já que atualmente vivem em seu território 7 milhões de pessoas, das quais 20% são árabes que permaneceram ali após a criação do Estado judeu.

    Leia tudo sobre: israel

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG