Israel mobiliza reforços contra marchas por adesão palestina à ONU

Exército prepara-se para possíveis mobilizações na próxima semana, quando palestinos devem pedir reconhecimento de Estado

iG São Paulo |

O Exército israelense aumentou seu nível de alerta e mobilizou unidades de reserva para reforçar suas tropas na Cisjordânia, preparando-se para possíveis revoltas palestinas na próxima semana após o pedido de reconhecimento de Estado à ONU .

AFP
Palestinos participam de manifestação anti-EUA em Ramallah, na Cisjordânia, em 15 de setembro de 2011
O Comando Central do Exército pôs comandantes de prontidão na Cisjordânia e convocou três batalhões de reservistas adicionais, 1,5 mil homens, na última semana para aumentar sua presença nesse território palestino ocupado, informou o serviço de notícias "Ynet". Israel também mantém unidades em alerta para se for declarado o estado de emergência. O mesmo acontece com unidades de reserva do Comando Sul, que podem ter de reforçar a fronteira com o Egito.

As tropas que estão sendo desdobradas na Cisjordânia foram treinadas para o uso de equipamentos de dispersão para fazer frente aos manifestantes. O Exército também reforçou a presença ao redor das colônias judaicas para proteger as localidades e para evitar ataques de colonos extremistas contra palestinos, algo frequente nas últimas semanas, incluindo incêndios em mesquitas. Além disso, civis residentes nas colônias judaicas em território palestino foram treinados para a possibilidade de os protestos se tornarem violentos .

Os dirigentes palestinos asseguraram que serão pacíficas as manifestações que darão apoio à solicitação do reconhecimento de um Estado palestino como membro de pleno direito na ONU. O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, deve apresentar seu pedido à ONU após seu discurso na Assembleia Geral, no dia 23. Os preparativos de Israel ocorrem enquanto EUA e União Europeia tentam nos bastidores dissuadir os palestinos de levar a medida adiante .

Pedido de adesão

Na quinta-feira, o ministro palestino das Relações Exteriores, Riyad al-Malki, confirmou que, em seu discurso, Abbas defenderá a aceitação de um Estado palestino como membro pleno da organização multilateral com as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias de 1967. "O presidente apresentará a solicitação às 12h30 (13h30 em Brasília), exceto no caso de uma proposta crível para a retomada das negociações", disse, em referência aos contatos em curso entre EUA e países europeus.

Obter o reconhecimento como Estado é importante para os palestinos porque abriria as portas ao comparecimento a organismos internacionais, como o Tribunal Penal Internacional de Haia, onde poderiam denunciar as consequências da ocupação de seus territórios e as violações de direitos humanos cometidas contra sua população. Os palestinos também poderiam assinar tratados multilaterais e, segundo eles, o reconhecimento melhoraria sua posição para negociador com Israel.

Na terça-feira, um membro da Liga Árabe disse que os palestinos pensavam em buscar o reconhecimento da ONU como Estado por meio da Assembleia-Geral, e não pelo Conselho de Segurança. Como uma maioria de dois terços indica ser favorável à medida na Assembleia-Geral, os palestinos obteriam uma vitória na votação e garantiriam um embaraço a Israel. A vitória, porém, seria limitada, porque o reconhecimento seria apenas como Estado não-membro, sem direito a voto.

Neste sexta-feira, porém, o presidente Mahmud Abbas disse que os palestinos pedirão a adesão total , com direito a voto, que só pode ser conferida pelo Conselho de Segurança (composto por 15 membros, dos quais cinco com poder de veto). Recorrer ao órgão coloca os EUA na desconfortável posição de vetar o esforço palestino , causando danos na diplomacia americana no mundo árabe.

Nesta sexta-feira, uma publicação da China, que também tem poder de veto no órgão da ONU, advertiu que haverá aumento da tensão no Oriente Médio se os EUA não apoiarem a iniciativa palestina. "A comunidade internacional, de forma majoritária, acredita que ter um Estado independente é um direito inalienável dos palestinos. Se os EUA optarem por desafiar a opinião pública mundial, não apenas Israel ficará ainda mais isolado, como as tensões na região aumentarão mais", afirmou um editorial do jornal China Daily.

Nesta semana, em um artigo publicado no New York Times, o príncipe saudita Turki Faisal afirmou que a posição americana só reduz ainda mais o decadente prestígio regional dos EUA. Para ele, o veto americano enfraqueceria a segurança israelense e fortaleceria o Irã, que a comunidade internacional suspeita desenvolver um programa de armas nucleares. Por conta disse, alerta Faisal, a Arábia Saudita não poderá continuar sendo um forte aliado americano.

Primavera Árabe

A tentativa dos palestinos de obter o reconhecimento de um Estado ocorre em meio aos levantes conhecidos como Primavera Árabe , que puseram fim aos regimes autocráticos de longa data da Tunísia , Egito e Líbia e vêm mudando a dinâmica da região.

Israel, que antes tinha um aliado no líder deposto egípcio Hosni Mubarak, atualmente vê suas relações com Cairo estremecidas, com os líderes da junta militar sob pressão popular para pôr fim ao acordo de paz de 1979. Na quinta-feira, O primeiro-ministro egípcio, Essam Sharaf, chegou a afirmar que o tratado de paz com Israel não é "sagrado" , e pode ser alterado pelo bem da paz na região.

Além disso, a Turquia, um aliado estratégico, adotaram um afastamento após o Estado judeu se recusar a pedir desculpas pela morte de oito ativistas turcos e um turco-americano durante uma ofensiva isralense contra um navio com ajuda humanitária que se dirigia à Faixa de Gaza em maio de 2010. O incidente da flotilha e o desejo da Turquia de ampliar sua influência no Oriente Médio e no mundo árabe poderiam afetar dramaticamente a dinâmica de poder na região.

*Com EFE, AFP e informações de Nahum Sirotsky, de Israel

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