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Israel minimiza escândalo de espionagem nos Estados Unidos

Israel minimizou nesta quarta-feira o impacto de um caso de espionagem nos Estados Unidos, depois da prisão de um engenheiro judeu americano suspeito de ter passado informações sobre armas nucleares.

AFP |

O engenheiro mecânico Ben-Ami Kadish, que era funcionário em um arsenal de Dover (Nova Jersey), tinha acesso à documentação militar, que ele fotografava e enviava para Israel, segundo a procuradoria de Nova York.

"Este caso provoca um mal-estar momentâneo, mas não afetará as relações privilegiadas entre Israel y Estados Unidos", afirmou à AFP um alto funcionário do governo israelense.

"A secretária de Estado Condoleezza Rice e o presidente George W. Bush são esperados no início de maio em Israel. Seu desejo é favorecer um acordo israelense-palestino antes do fim do mandato Bush, e uma crise entre os dois países poderia prejudicar esse projeto", explicou ainda.

O departamento de Estado americano declarou sua preocupação sobre o caso.

"Esse tipo de atividade, seja as que ocorreram no passado ou no presente, não é o que esperávamos de um país amigo ou aliado, e não esperávamos isso de Israel", afirmou o porta-voz do departamento de Estado, Tom Casey.

Indagado pela AFP, o gabinete do primeiro-ministro israelense Ehud Olmert se negou a comentar o caso.

O ministério das Relações Exteriores israelense informou apenas que está acompanhando a evolução dos acontecimentos.

Entre os 50 a 100 documentos entregues entre 1979 e 1985 a Israel por Kadish, figuravam informações vinculadas a armas nucleares e classificadas como divulgação restrita.

Por intermédio de um funcionário do consulado israelense em Nova York, o espião também passou dados sobre caças F-15 que os Estados Unidos venderam para outro país e sobre o sistema de defesa de mísseis Patriot, também considerados "sigilosos" pelo Exército dos Estados Unidos.

Casey acrescentou que o governo americano pedirá explicações a Israel. "Vamos falar disso com os israelenses, se é que já não o fizemos", destacou.

Segundo o porta-voz, o caso está de alguma forma relacionado ao de outro espião, Jonathan Pollard, que atualmente cumpre prisão perpétua nos EUA por ter espionado o Pentágono para Israel nos anos de 1980.

Pollard, um oficial da Marinha americana, entregou milhares de documentos a Israel, por intermédio do mesmo contato usado por Kadish, denunciou a procuradoria.

Kadish levava os documentos para sua casa de Nova Jersey, onde o funcionário israelense, não identificado e empregado como "cônsul para Assuntos Científicos", fotografava o material para transmiti-los para o Estado hebreu.

O engenheiro, que compareceu nesta terça perante um juiz, é acusado de ter fornecido documentos militares classificados para Israel e, finalmente, por "ter agido como um agente do governo de Israel", explica o comunicado.

O homem foi solto sob fiança de 300.000 dólares, além de entregar seu passaporte e estar com deslocamento limitado a Nova Jersey e o distrito sul de Nova York.

Segundo a procuradoria, o espião, hoje com 84 anos, reconheceu diante dos agentes federais ter entregue documentos a Israel.

O funcionário israelense contactava o engenheiro regularmente para lhe apresentar listas de documentos que Israel queria obter. Depois, Kadish conseguia os papéis no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia do Exército de Dover, onde trabalhou entre 1963 e 1990.

Kadish viajou para Israel em 2004 e voltou a contactar o ex-funcionário consular.

Mais recentemente, ao saber que seu informante era investigado pelo FBI, o israelense o telefonou em 20 de março passado para intruí-lo a "mentir para as autoridades americanas", completou a procuradoria.

ltl/cn/

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