Israel mata quatro em ataque a barco palestino

Segundo governo israelense, palestinos planejavam realizar ataque terrorista contra o país

iG São Paulo |

A Marinha israelense abriu fogo na madrugada desta segunda-feira contra um barco palestino na costa de Gaza, matando quatro pessoas. No começo da madrugada, a rádio militar israelense havia informado que cinco pessoas haviam sido mortas no ataque.

As Forças Armadas do país disseram que o barco levava militantes armados, em roupas de mergulho, preparando-se para atacar Israel. "Uma patrulha naval israelense avistou um barco com quatro homens em trajes de mergulho, a caminho de realizarem uma ação terrorista, e atirou contra eles", disse um porta-voz militar, sem esclarecer qual seria o suposto alvo do ataque militante.

O Hamas, movimento islâmico palestino que controla a Faixa de Gaza, confirmou o incidente, acrescentando que retirou quatro corpos do mar. O Fatah, partido palestino que controla a Cisjordânia, disse que os corpos seriam de integrantes de seu braço militar e que um quinto integrante ainda está desaparecido.

Segundo o jornal israelense Haaretz, o incidente seria o último de uma série de ataques recentes de grupos armados palestinos contra Israel. O país estabeleceu um bloqueio ao território palestino em junho de 2007, após o Hamas ter assumido o controle sobre a Faixa de Gaza.

Na semana passada, as Forças Armadas do país atacaram uma frota de barcos que carregava centenas de ativistas pró-Palestina , e tinha como missão levar ajuda humanitária para Gaza. Israel disse que os barcos tinham finalidades terroristas. Nove pessoas morreram na operação.

A imprensa israelense disse que a ação desta segunda-feira foi realizada pela mesma unidade naval que abordou a frota de ajuda humanitária na segunda-feira passada. O Exército não quis entrar nesses detalhes.

Também nesta segunda-feira, fontes do Hamas e de hospitais de Gaza disseram que um avião israelense jogou um míssil contra militantes num terreno perto da Cidade de Gaza, ferindo gravemente um homem. Um porta-voz militar de Israel confirmou que o míssil tinha como alvo um grupo de militantes que estaria tentando lançar um foguete contra Israel.

Novas fotos

No domingo, a organização não-governamental turca IHH divulgou fotos do ataque ao barco em que ocorreu a ação que levou à morte dos nove ativistas, o Mavi Marmara, de bandeira turca. A ONG diz que as imagens mostram os ativistas sendo condescendentes e prestando primeiros socorros aos soldados israelenses feridos durante a operação.

Israel alega que as imagens apenas comprovam a versão israelense de que seus soldados agiram em legítima defesa ao serem atacados pelos ativistas.

AP
Imagem divulgada pelo grupo turco IHH mostra soldado israelense (de verde) ferido dentro do barco atacado na última semana

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, deve prestar uma homenagem aos mortos – oito turcos e um portador do passaporte americano criado na Turquia – em uma visita a Istambul, onde participa nesta segunda-feira de um encontro sobre segurança regional.

No domingo, o embaixador israelense nos Estados Unidos, Michael Oren, disse que seu país não pedirá desculpas à Turquia pela morte dos nove ativistas.

"Israel não pedirá perdão por ter tomado as medidas necessárias para defender seus cidadãos e não se desculpará por ter feito o que foi preciso para defender as vidas de nossos soldados", afirmou Oren à rede de TV americana Fox News.

Inquérito internacional

Oren disse ainda que Israel rejeita a proposta de um inquérito internacional sobre a operação. "Rejeitamos uma comissão internacional", disse ele à Fox. "Israel tem a capacidade e o direito de se auto-investigar e não de ser investigado por qualquer comissão internacional", disse.

A proposta de uma investigação envolvendo outros países foi discutida em um telefonema na manhã de domingo entre o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o premiê de Israel, Binyamyn Netanyahu. Pelo plano, a comissão incluiria representantes dos EUA, Turquia e Israel, que reportariam suas conclusões ao primeiro-ministro da Nova Zelândia.

No domingo, os ministros do Exterior de França e Grã-Bretanha pediram a Israel que aceite no mínimo uma "presença internacional" na investigação do incidente. "Acreditamos que deve haver no mínimo uma presença internacional na investigação", disse o ministro britânico, William Hague.

Já o ministro francês, Bernard Kouchner, sugeriu que a União Europeia adote um papel mais importante na provisão de ajuda humanitária para Gaza e na restrição à entrada de armas no território. "A União Europeia deve participar mais, politicamente e concretamente, do que já faz - e já o faz bastante", disse Kouchner.

* Com AP e BBC Brasil

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